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INSS registra crédito consignado ativo para beneficiários que têm mais de 120 anos



Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo
Previdência Social 24 de agosto de 2025 | 16:45

INSS registra crédito consignado ativo para beneficiários que têm mais de 120 anos

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) registra a existência de 86 contratos de crédito consignado ativos para beneficiários com mais de 120 anos, segundo dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).

Embora a quantidade não seja significativa perante a soma total de contratos ativos (57,3 milhões), os dados chamam a atenção porque a existência de pessoas vivas nessa faixa etária é incomum.

A reportagem solicitou ao INSS, em 13 de agosto, o número de beneficiários com mais de 120 anos, já que não há informações públicas com esse recorte. O órgão pediu tempo extra para responder, afirmando que dependia de uma extração de dados a ser feita pela Dataprev (empresa pública de tecnologia que presta serviços à Previdência). O prazo foi concedido, mas o INSS não respondeu.

Procurada, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) disse, em nota, que não só desconhece casos de consignado para aposentados com 120 anos ou mais, mas também repudia a oferta de qualquer produto bancário que desconsidere a adoção de políticas preventivas voltadas à proteção de clientes mais vulneráveis, como idosos de idade avançada.

“Ademais, não parece minimamente imaginável que uma pessoa de 120 anos tenha tomado um empréstimo bancário, a não ser que o registro dessa informação decorra de erro material nos dados cadastrais do cliente ou seja fruto de golpe ou fraude. E, hoje, no Brasil, não há registro sobre pessoas vivas com 120 anos ou mais”, afirmou a entidade.

A Febraban disse ainda que as instituições financeiras são bem mais conservadoras na concessão de crédito para clientes com idades mais elevadas. Algumas oferecem prazos menores para pagamento ou preferem nem operar com este público.

A ABBC (Associação Brasileira de Bancos) afirmou, em nota, que “as políticas de concessão de crédito são definidas individualmente por cada instituição financeira, de acordo com seus próprios critérios”. A entidade disse ainda que “desconhece a existência de práticas discriminatórias”.

Os empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS entraram na mira de autoridades na esteira das investigações sobre o esquema de fraude nos descontos de mensalidades associativas, alvo da operação Sem Desconto.

As mensalidades e o crédito consignado são produtos diferentes, mas há a suspeita de que ambos foram usados para cometer irregularidades.

No início de 2024, a CGU (Controladoria-Geral da União) apontou, em relatório de auditoria, fragilidades relacionadas à fidedignidade das informações registradas nos consignados, possíveis averbações de empréstimos em benefícios inelegíveis e contratos celebrados com taxas de juros acima do teto fixado pelo governo.

No entanto, o trabalho não foi conclusivo devido a possíveis falhas de validação do sistema de consignados e envio de informações de forma incompleta ou inconsistente. A CGU recomendou uma mudança nas regras da modalidade.

Dados do INSS mostram um crescimento na averbação de créditos consignados —momento em que o contrato é registrado, e a instituição financeira é autorizada a descontar as parcelas de pagamento. Em janeiro de 2025, foram averbados 3,1 milhões de contratos, alta de 55,5% em relação a igual mês de 2024 (2 milhões de contratos).

A advogada Joseane Zanardi, coordenadora regional do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), afirmou que a existência dos 86 contratos de consignado para pessoas com mais de 120 anos chama a atenção.

“Eu acho bastante curioso. Esses beneficiários estão vivos, ou são benefícios fraudados? É uma informação que me causa estranheza, não é um número tão pequeno”, disse.

“Pode ter mais de um contrato por pessoa, dentro do limite consignável. Mas talvez seja um ponto que precise ser analisado com mais atenção, para verificar se não tem nenhum tipo de irregularidade na manutenção desses benefícios e também na concessão desses consignados”, avaliou Zanardi.

Os dados fornecidos por meio da LAI reúnem contratos firmados entre junho de 2020 e junho de 2025 e que permaneciam ativos até o mês passado, informação mais recente disponível. Os números contemplam três modalidades de consignado: empréstimo, cartão de crédito e cartão de benefícios.

Os consignados para pessoas com mais de 120 anos são descontados principalmente de benefícios de pensão ou aposentadoria rural. Apenas cinco contratos estão vinculados a espécies urbanas de pensão.

Um técnico com experiência na área de Previdência avaliou, sob reserva, que os dados indicam possíveis erros de cadastro ou, mais grave, irregularidades nos benefícios e nos consignados.

Segundo o INSS, existem outros 2,5 milhões de contratos ativos de beneficiários com idade entre 80 e 120 anos. Nessa faixa etária, a tomada de crédito não é proibida, mas tende a ser mais difícil ou custosa devido ao maior risco de inadimplência, uma vez que o pagamento da prestação depende da continuidade do benefício.

A legislação prevê que, em caso de morte do tomador de consignado do INSS, o saldo do empréstimo é automaticamente quitado. Para as instituições que concedem o crédito, esse é um fator adicional de risco na análise da operação.

Zanardi, do IBDP, citou que há um problema comum de familiares realizarem a contratação de consignados em nome de um parente beneficiário do INSS, principalmente quando eles vão ficando mais velhos. “Existem abusos nesse sentido”, afirmou.

CRÉDITO PARA IDOSOS ABAIXO DE 60 ANOS

Os dados do INSS obtidos via LAI também mostram 890 contratos ativos de crédito consignado para beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) com menos de 60 anos, apesar de a lei fixar uma idade mínima de 65 anos para receber a assistência.

Os dados consideram apenas o BPC idoso, sem contabilizar operações vinculadas ao benefício para pessoas com deficiência, para o qual não há idade mínima.

Procurado, o INSS não esclareceu quantas pessoas com menos de 65 anos recebem o BPC idoso, nem quais seriam as circunstâncias da eventual concessão desses benefícios (se houve determinação judicial, por exemplo).

Para a coordenadora do IBDP, o dado também chama a atenção. “Pela legislação em vigor, BPC idoso somente é concedido acima de 65 anos”, afirmou.

Idiana Tomazelli/Folhapress



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Sema reforça brigadas voluntárias do município de Cícero Dantas com novos equipamentos


Sema reforça brigadas voluntárias do município de Cícero Dantas com novos equipamentos
Sema reforça brigadas voluntárias do município de Cícero Dantas com novos equipamentos

Fotos: Matheus Lemos- Ascom/Sema

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema) realizou, nesta quarta-feira (27), a entrega de uma nova remessa de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Equipamentos de Combate (EPCs) para os brigadistas voluntários do município de Cícero Dantas. A iniciativa, realizada na sede do órgão em Salvador, integra as ações do Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela secretaria.

Os equipamentos terão papel fundamental para reforçar a segurança e a eficiência dos brigadistas, que atuam de forma voluntária na linha de frente contra os incêndios florestais. Além de ampliar a capacidade de resposta, os itens asseguram a integridade física dos combatentes, reduzindo riscos à saúde e preservando vidas.

“Essa iniciativa da Sema foi viabilizada através da execução de emendas parlamentares. Trata-se de um mecanismo importante, recentemente regulamentado pelo governo federal, que permite o uso de emendas para a aquisição de equipamentos de prevenção e combate a incêndios florestais e integra como mais uma ação voltada à implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo pelos estados”, afirma o coordenador da Diretoria de Programas e Projetos (DIPRO), Pablo Rebelo.

Nos últimos anos, o programa distribuiu milhares de itens de combate para brigadas em diferentes regiões do estado, como Oeste e Chapada Diamantina. Essas ações têm contribuído para conter focos de incêndio, reduzir danos ambientais e proteger áreas de grande relevância ecológica.

“Quero aqui agradecer ao Governo do Estado pela ajuda ao combate às queimadas, que tanto nos preocupam, não só aqui, mas em toda a região. Nós estamos atuando em parceria com municípios vizinhos, e, sempre que necessário, estamos à disposição para ajudar. Esse material que recebemos hoje é de grande relevância para enfrentarmos as necessidades críticas que surgem, especialmente no período do verão”, destacou o Secretário de Meio Ambiente de Cícero Dantas, Milton Nunes.

Avanços em nível nacional e estadual

A entrega dos equipamentos ocorre em um momento de fortalecimento da política nacional de prevenção e combate a incêndios florestais. No ano passado, durante as comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), foi sancionada a lei que cria mecanismos para ampliar a resposta a incêndios florestais e situações de emergência ambiental em todo o país.

A Lei nº 14.944/2024, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, disciplina a articulação entre União, estados e municípios, além de reconhecer o papel ecológico do fogo em determinados ecossistemas e valorizar práticas tradicionais de uso controlado pelas comunidades locais.

Entre os avanços, destacam-se a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios; a redução do prazo para recontratação de brigadistas, agora em três meses; a simplificação para uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais; a inclusão de emendas parlamentares como fonte de recursos para o FNMA e o financiamento de projetos de prevenção, combate e apoio à fauna atingida por incêndios florestais.

No âmbito estadual, o Governo da Bahia também deu um passo importante com a publicação do Decreto nº 23.835, de 16 de julho de 2025, que institui oficialmente o Programa Bahia Sem Fogo como política estadual de prevenção e combate a incêndios florestais. O programa tem como finalidade planejar e desenvolver atividades voltadas à prevenção, monitoramento, resposta, recuperação de áreas degradadas e responsabilização de incêndios em unidades de conservação e áreas de interesse ambiental.

Entre seus objetivos, estão a redução da incidência de incêndios, a proteção da biodiversidade, o resgate e a reabilitação de fauna silvestre impactada, a preservação dos recursos hídricos e a promoção de ações de educação ambiental. O decreto também estabelece que o programa será gerido pelo Comitê Estadual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, composto por diferentes órgãos do Executivo estadual, em articulação com a sociedade civil.


IPI zero para ‘carros verdes’ cresce venda, mas governo não fatura



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No sábado (23), o vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, participou de visitas a concessionárias em São Paulo 24 de agosto de 2025 | 18:31

IPI zero para ‘carros verdes’ cresce venda, mas governo não fatura

A isenção de IPI sobre veículos novos menos poluentes fez a média diária de vendas saltar de 437, em julho do ano passado, para 509, em julho deste ano.

Para a Anfavea, a associação das montadoras, e o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, o crescimento de 17% nessa média se deve ao lançamento do programa Carro Sustentável, em vigor desde 11 de julho deste ano.

Para ter acesso aos benefícios, as montadoras terão de atender a alguns requisitos. Os veículos precisam emitir menos de 83 gramas de CO2 por quilômetro, ter etapas essenciais de produção no Brasil (o que exclui os elétricos chineses disponíveis hoje) e alcançar, pelo menos, um índice de 80% de reciclabilidade.

No sábado (23), Alckmin participou de visitas a concessionárias em São Paulo. Em uma de suas publicações nas redes sociais, o ministro afirmou que, em umas lojas da Volkswagen, as vendas quase dobraram.

Na comunicação do governo federal, no entanto, os resultados passam despercebidos, sem a publicidade esperada pelos fabricantes e até pelo ministério.

Julio Wiziack /Folhapress



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Sob Trump, EUA se afastam do livre-mercado e se aproximam do capitalismo de Estado chinês e europeu



Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump 24 de agosto de 2025 | 20:01

Sob Trump, EUA se afastam do livre-mercado e se aproximam do capitalismo de Estado chinês e europeu

As empresas privadas americanas têm um novo investidor com quem se preocupar: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde que tomou posse, Trump inseriu o governo em empresas americanas de maneiras extraordinárias, incluindo a aquisição de uma participação na U.S. Steel e a pressão por uma redução nas receitas da Nvidia e da Advanced Micro Devices (AMD) provenientes da China.

No mês passado, o Pentágono anunciou que iria adquirir uma participação de 15% na MP Materials, uma grande mineradora americana de terras raras. E, na sexta-feira, 22, a Intel concordou em permitir que o governo dos EUA adquirisse uma participação de 10% em seus negócios, no valor de US$ 8,9 bilhões.

Esses movimentos podem anunciar uma mudança do tão alardeado sistema de livre-mercado dos Estados Unidos para um que se assemelha, pelo menos em alguns aspectos, a uma forma de capitalismo estatal mais frequentemente visto na Europa e, em diferentes graus, na China e na Rússia, afirmam advogados, banqueiros e acadêmicos versados na história de aquisições hostis e negócios internacionais.

As ações de Trump estão levando banqueiros e advogados de Wall Street a se apressarem para ajudar as empresas a elaborar um plano de ação para se defenderem ou, pelo menos, encontrarem maneiras de apaziguar Trump.

“Praticamente todas as empresas com as quais conversei que recebem regularmente subsídios ou subvenções do governo estão preocupadas com isso neste momento”, disse Kai Liekefett, copresidente da área de defesa corporativa do escritório de advocacia Sidley Austin.

A administração Trump está vasculhando outras empresas que considera maduras para algum tipo de envolvimento governamental, disseram três pessoas a par dessas discussões.

Pretexto de ‘segurança nacional’

O governo dos EUA já se inseriu no mundo corporativo americano antes. A administração Obama adquiriu participações em bancos e montadoras após a crise financeira de 2008, e tanto a administração Obama quanto a de Joe Biden usaram subsídios governamentais para promover a tecnologia verde.

Mas especialistas dizem que a iniciativa de Trump é diferente — e mais agressiva — do que os Estados Unidos já viram antes. As empresas que ele tem como alvo não estão à beira do colapso, nem sua falência, como no caso dos bancos durante a crise financeira, desencadearia uma série de eventos que poderiam levar à ruína econômica global.

“Os Estados Unidos sempre foram cautelosos em relação à linha divisória entre empresas públicas e privadas”, disse Jonathan Levy, historiador e professor da Sciences Po em Paris e autor de “Ages of American Capitalism: A History of the United States” (As eras do capitalismo americano: uma história dos Estados Unidos).

“A única vez em que isso foi suspenso”, acrescentou, “foi no contexto de uma guerra ou de interesses de segurança nacional”.

A Casa Branca insiste que a segurança nacional está, de fato, impulsionando os seus investimentos e contestou a ideia de que adquirir participações em empresas de importância crítica prejudica livre-mercado.

A Intel recebeu uma subvenção de cerca de US$ 11 bilhões como parte da Lei dos Chips, uma lei bipartidária aprovada durante a administração Biden com o objetivo de tornar os Estados Unidos menos dependentes da Ásia para a fabricação de semicondutores.

O secretário do Comércio, Howard Lutnick, argumentou que, ao adquirir uma participação acionária, os contribuintes americanos obterão os benefícios de qualquer impulso concedido à Intel.

“Esta não é uma empresa qualquer”, disse um funcionário da Casa Branca. “Isso é algo tão crítico para a segurança nacional que justifica essa ação”.

Mas algumas das medidas recentes de Trump parecem ser uma forte ruptura com os precedentes históricos. Nos casos da Nvidia e da AMD, o governo Trump propôs ditar o mercado global ao qual essas fabricantes de chips podem ter acesso. As duas empresas prometeram dar 15% de sua receita proveniente da China ao governo dos EUA para ter o direito de vender chips naquele país e contornar quaisquer restrições futuras dos EUA.

David Sicilia, professor associado emérito de história da Universidade de Maryland, disse que nunca viu uma época em que os Estados Unidos tivessem mudado a sua política comercial para visar uma ou mais empresas específicas.

“A interpretação menos generosa é que se trata de extorsão”, disse ele.

Ao discutir o acordo com a Intel na sexta-feira, Trump disse que o CEO da empresa “entrou querendo manter o seu emprego e acabou por dar US$ 10 bilhões para os Estados Unidos”.

As empresas americanas criaram defesas contra investidores como Carl Icahn e Nelson Peltz, que normalmente adquirem participações em empresas com dificuldades no mercado público e, em seguida, as pressionam a fazer mudanças que elevem o preço das suas ações, como vender uma divisão ou substituir um CEO.

Mas, ao contrário de um ativista corporativo tradicional, Trump nem sempre vinculou claramente seus apelos por ações corporativas — seja destituir um diretor executivo ou “arcar com o custo das tarifas” — aos retornos da empresa.

Por enquanto, os acionistas da Intel reagiram favoravelmente ao envolvimento cada vez maior do governo. As ações da Intel fecharam com alta de mais de 5% na sexta-feira, quando Trump anunciou que o governo iria adquirir a participação. As ações de concorrentes como a AMD caíram desde que a notícia do possível acordo se tornou pública na semana passada, uma queda que os analistas atribuem em parte à expectativa de que o governo apoiará a Intel em detrimento de outras empresas de chips.

“Se estiver focado no curto prazo, então esse tipo de acordos pode ser benéfico, porque vai acabar por ser pressionado de qualquer maneira”, disse Sarah Bauerle Danzman, cientista política e professora associada de estudos internacionais na Escola Hamilton Lugar de Estudos Globais e Internacionais da Universidade de Indiana.

Mas, ela alertou, “uma vez que o governo se envolve na tomada de decisões estratégicas, essas escolhas estratégicas não são mais motivadas por considerações de mercado”.

O crescente envolvimento do presidente com empresas privadas também levanta questões mais amplas sobre a perda de proteções para os acionistas comuns.

“Estamos acostumados a ouvir acionistas controladores dizerem: ‘Quero obter benefícios privados do controle. Eu também sou o CEO. Quero receber um pacote de compensação de US$ 56 bilhões’. Temos maneiras de lidar com isso”, disse Edward Rock, professor de governança corporativa da Universidade de Nova Iorque.

“Mas se o governo encorajasse uma empresa a encerrar os seus planos de internacionalização, por exemplo, não temos doutrinas no direito societário que nos permitam analisar essa situação”.

Empresas tentam sair ‘da mira’ de Trump

Rejeitar as exigências de Trump não será fácil. Processar o governo provavelmente não é um caminho produtivo, disse Liekefett, advogado da Sidley Austin.

Embora a Lei dos Chips não autorize expressamente o governo a adquirir participações acionárias em empresas que recebem subsídios, ela contém uma linguagem que pode ser interpretada como dando ao governo uma autoridade mais ampla, disse ele.

O manual atual para as empresas evitarem a ameaça de uma participação do governo ou outras exigências extraordinárias, dizem os consultores corporativos, é continuar o que já estão fazendo para ficar fora da mira de Trump: limpar os sites públicos de linguagem sobre diversidade, equidade e inclusão e fazer mais visitas ao presidente em Washington.

O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, por exemplo, visitou Trump quatro vezes desde que ele assumiu o cargo em janeiro, de acordo com duas pessoas com conhecimento das visitas. Esse é um número incomumente alto para o CEO do banco.

Especialistas dizem temer que esse tipo de clima de negócios esteja corroendo a igualdade de condições que eles acreditam ser crucial para o sucesso do país a longo prazo.

“Quem vai querer investir em empresas que o governo não apoia?”, questionou Dan Ikenson, economista e especialista em comércio. “O que acontecerá com empresas promissoras que não bajulam Trump?”.

Estadão



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Programa Bahia Sem Fogo é destaque nacional no Consad e mostra redução nos focos de calor


Programa Bahia Sem Fogo é destaque nacional no Consad e mostra redução nos focos de calor
Programa Bahia Sem Fogo é destaque nacional no Consad e mostra redução nos focos de calor

Foto: Divulgação

O Programa de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Bahia sem Fogo foi apresentado no XIV Congresso de Administração Pública 2025, em Brasília, nesta quarta-feira (27). Com a área temática “Reinventando o Estado: desafios e oportunidades”, o evento é um dos principais espaços do país para discutir inovação, modernização e fortalecimento da administração pública. A coordenadora do programa e chefe de Gabinete da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Daniella Fernandes, apresentou o Bahia Sem Fogo como referência de política pública na área ambiental.

Instituído pelo Decreto nº 23.835 de 16 de julho de 2025, o programa tem como objetivo planejar e desenvolver atividades de prevenção, monitoramento, resposta, recuperação de áreas degradadas e responsabilização em casos de incêndios florestais, especialmente em Unidades de Conservação e áreas de interesse ambiental. Os resultados já são expressivos: segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve redução de aproximadamente 33% nos focos de calor em comparação a 2023. Além disso, segundo relatórios financeiros, o estado da Bahia reduziu 64% nos gastos com combate, graças à ênfase em prevenção e integração de esforços.

“A estrutura de governança do programa é transversal, baseada em ações integradas que incluem o fortalecimento das brigadas voluntárias, o engajamento das comunidades locais e a implementação de pilares estratégicos que unem tecnologia, capacitação e participação social”, destacou Daniella durante a apresentação.

Com 19 anos de experiência na gestão pública, Daniella acredita que iniciativas como o Programa Bahia sem Fogo demonstram a necessidade de aprimoramento e inovação constante das políticas públicas, tornando os recursos destinados à prevenção e ao combate aos incêndios florestais mais eficientes. “Cada recurso aplicado na prevenção é um investimento que retorna em áreas preservadas, vidas protegidas e redução de custos futuros com combate”, afirmou.

Entre as ações do programa estão a elaboração do Plano de Ações Integradas, a criação de Planos Regionais e Subcomitês locais, a implantação de centros temporários de acolhimento e cuidados veterinários para fauna silvestre, além de planos operativos de prevenção e resposta em Unidades de Conservação, planos de contingência para resgate da fauna, equipagem (EPI/EPC), capacitação de servidores e parceiros, monitoramento tecnológico e ações itinerantes de fortalecimento da governança territorial.

Também participando da programação, o diretor-geral da Sema, Vinicius Souza, reforçou o papel estratégico do programa. “A submissão do Programa Bahia sem Fogo ao Consad é um marco para o Estado, pois ultrapassa fronteiras e compartilha com o país práticas que transformam a forma de lidar com incêndios florestais. Desde 2023, o programa vem evoluindo com campanhas educativas, capacitações, sistemas de monitoramento e integração entre órgãos estaduais”, disse.

Congresso Consad – Mais do que um congresso, o Consad funciona como uma rede colaborativa que conecta gestores públicos de todo o Brasil em torno de soluções para os desafios contemporâneos da administração pública. O evento, que teve início no dia 26 e finaliza na próxima quinta (28), está sendo realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília (DF). Clique AQUI para saber mais sobre o evento.