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Zema afirma que Cemig pode ir a leilão e dinheiro usado para pagar dívida de MG com a União



Foto: Dirceu Aurélio/Governo MG/Arquivo
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) 22 de agosto de 2025 | 19:30

Zema afirma que Cemig pode ir a leilão e dinheiro usado para pagar dívida de MG com a União

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse nesta sexta-feira (22) a um grupo de jornalistas durante evento no Rio de Janeiro que, caso o governo não tenha interesse em federalizar a Cemig, a companhia de energia mineira poderá ser leiloada e, com o dinheiro, o governo estadual pagar parte da dívida bilionária que tem com a União.

Essa é uma tese que já vinha sendo defendida por integrantes do governo de Zema. Porém, para que o leilão de privatização da empresa aconteça, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais precisa revogar legislação do estado para permitir a venda das ações da Cemig para o mercado.

A dívida de Minas com a União está em R$ 165 bilhões. O estado tem 51% do capital social da empresa, cujo valor de mercado hoje está em R$ 35 bilhões.

Mas a avaliação dos ativos da empresa para uma precificação de venda de ações da companhia será feita pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que possui 11,14% de participação na Cemig.

Segundo Zema, a federalização pode não ser interessante para Lula —especialmente agora que a equipe econômica briga por espaço no Orçamento para cumprir suas metas fiscais. O governo federal pode ter que desembolsar ao menos R$ 16,25 bilhões extras caso opte por essa saída.

Isso porque um mecanismo conhecido como tag along obrigaria a União a fazer ofertas para acionistas minoritários por 80% do valor pago para cada ação ordinária ao governo mineiro.

“[Isso] poderia fazer com que o governo federal tivesse uma despesa gigante após a transferência das ações”, disse o governador durante evento do Lide, grupo empresarial do ex-governador João Doria. Por isso, Zema já considera o leilão de privatização, tanto da Cemig quanto da Copasa, estatal de saneamento na qual, segundo ele, o governo Lula não tem interesse.

“Nós estamos levando ambos os processos [Cemig e Copasa] adiante. Se o governo não tiver interesse nas ações, as empresas seriam leiloadas e o valor utilizado 100% para quitação de dívida”, afirmou.

Stéfanie Rigamonti/Yuri Eiras/Folhapress



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Governo Lula defende juro mais barato em linha de crédito para realizar reformas habitacionais



Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Lula (PT) 23 de agosto de 2025 | 11:20

Governo Lula defende juro mais barato em linha de crédito para realizar reformas habitacionais

A linha de crédito para reformas habitacionais deve passar por ajustes após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestar preocupação com o custo para os trabalhadores e pedir uma taxa de juros menor, o que pode elevar a fatura de subsídios.

O tema foi discutido em reunião na terça-feira (19) entre Lula, os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Jader Filho (Cidades), e os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, da Caixa, Carlos Vieira, e do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

A linha de crédito para reformas é uma das apostas de Lula para ampliar sua popularidade, principalmente perante a classe média. A intenção do governo é garantir ao menos R$ 7,5 bilhões para esses financiamentos em 2025 e um valor igual para 2026, ano eleitoral.

Os recursos devem vir do Fundo Social do Pré-Sal, que recebe uma remuneração pelo empréstimo. Segundo integrantes do governo, essa remuneração pode sofrer ajustes para atender ao pedido do presidente. Isso significa que ela deve ficar menor do que o inicialmente indicado pelos técnicos nas discussões.

A eventual redução da remuneração do Fundo Social, porém, significa que o subsídio implícito custeado pelo governo será maior nessas operações. Isso porque a taxa cobrada pelo fundo ao emprestar os recursos é menor do que o Tesouro Nacional paga para se financiar no mercado, custo geralmente próximo da taxa Selic (hoje em 15% ao ano).

Embora não tenha impacto direto nas regras fiscais, como limite de gastos do arcabouço e meta de resultado primário (diferença entre receitas e despesas, descontado o serviço da dívida), o subsídio implícito contribui para elevar o endividamento do país.

Segundo os técnicos, a decisão final sobre qual será a remuneração do Fundo Social nessas operações deve ser tomada até semana que vem. Nos empréstimos do Minha Casa, Minha Vida, a taxa ficou em 4,88% ao ano.

Sobre esse percentual, os bancos ainda cobram um spread, para cobrir os custos da operação e fazer frente ao risco de inadimplência. Segundo técnicos, esse é um dos fatores que impulsionam o custo da linha de crédito para as famílias.

O governo conseguiu aprovar no Congresso uma mudança na legislação para permitir que o FGHab (Fundo Garantidor da Habitação Popular), que já existe, seja o garantidor de parte dessas operações. A ideia é que ele cubra o pagamento das prestações em caso de inadimplência, até um determinado limite.

O FGHab tem hoje cerca de R$ 1 bilhão disponível, o que deve ser suficiente para cobrir cerca de R$ 2 bilhões em operações em caso de necessidade, estimam os técnicos.

O governo pretende direcionar essas garantias para o público de menor renda, que, aos olhos do banco, representa maior risco de inadimplência —fator que eleva a cobrança de juros. A existência da garantia tende a reduzir o spread.

Segundo um auxiliar de Lula, o presidente quer dar condições para que o custo da operação fique num patamar considerado justo para o trabalhador.

O pacote de medidas para impulsionar o mercado imobiliário no país inclui um novo modelo de crédito habitacional e a criação da linha de crédito para reformas.

Em março, Lula prometeu uma linha de crédito para quem quer fazer “um puxadinho, um banheiro, um quartinho a mais para a filha ou alguma coisa a mais na garagem”.

O novo modelo de crédito habitacional prevê maior flexibilidade no uso de recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que são uma fonte de captação mais barata para os bancos, pois a remuneração aos poupadores fica abaixo das taxas de mercado. A mudança vem sendo capitaneada pelo BC (Banco Central).

Hoje, os bancos recebem os depósitos na poupança e precisam direcionar pelo menos 65% dos recursos para operações de financiamento imobiliário, além de deixar 20% do valor depositado compulsoriamente no BC.

No novo modelo em estudo, não haverá direcionamento, nem depósito compulsório. O dinheiro da caderneta ficará sem carimbo, e o banco poderá usá-lo para fazer outras aplicações com rendimentos maiores, desde que tenha concedido empréstimos habitacionais em valor correspondente. Já a casa própria seria financiada com recursos de mercado, usualmente mais caros.

Para compensar parte desse custo extra, os ganhos obtidos pelas instituições com o uso flexível da poupança seriam empregados para manter juros menores no crédito habitacional, segundo técnicos que participam das discussões.

O setor da construção civil, porém, vê a proposta com reservas e teme que haja, como consequência da mudança, uma desorganização da produção e comercialização de imóveis, ou até mesmo um abalo no setor bancário diante de um potencial risco sistêmico.

Idiana Tomazelli/Catia Seabra/Folhapress



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Estado e Ministério da Justiça firmam parceria focada em jovens de territórios afetados pela criminalidade e letalidade


Estado e Ministério da Justiça firmam parceria focada em jovens de territórios afetados pela criminalidade e letalidade
Estado e Ministério da Justiça firmam parceria focada em jovens de territórios afetados pela criminalidade e letalidade

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

O Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo do Estado e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), para a implementação integrada do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – PRONASCI Juventude, foi assinado neste sábado (30), durante solenidade realizada na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador. O evento contemplou atrações culturais e oficinas pedagógicas e contou com a apresentação do Coro Infantojuvenil do Neojiba com o pianista Erick Santos Silva. A secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, do MJSP, Marta Machado, e o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, além de representantes de órgãos e instituições com atuação na área estiveram presentes ao evento.

O ato de assinatura do acordo integrou a programação do evento PRONASCI Juventude Salvador – Aula Inaugural, ação que celebra o início das atividades formativas na Bahia, com a recepção oficial dos 250 adolescentes e jovens que compõem a primeira turma da iniciativa no estado. Direcionado a jovens de 15 a 24 anos, o projeto é voltado para a prevenção à criminalidade e à letalidade em territórios em situação de vulnerabilidade.

Inicialmente serão atendidos 500 jovens de bairros da capital baiana, como Arenoso, Fazenda Coutos, Nordeste de Amaralina, São Tomé de Paripe e Liberdade. Moradora do Curuzu, Priscila de Jesus é uma das participantes. “Vai me ajudar muito a socializar, ter um futuro, pensar no meu plano. É uma forma de melhorar de vida, de me ajudar também na questão financeira”, disse a jovem cheia de expectativas.

Na Bahia, o PRONASCI Juventude faz interface direta com o Bahia Pela Paz, programa do Governo do Estado voltado à prevenção da violência, combate à letalidade e promoção da cultura de paz. Jovens em situação de vulnerabilidade agravada compõem o público prioritário tanto da iniciativa federal quanto estadual.

“Nessa parceria, a gente chega em cinco territórios aqui de Salvador, não para violentar esses territórios. O Estado chega para oferecer oportunidade para que essa juventude possa sonhar, construir projetos de vida, ter oportunidades de crescer e desenvolver todo o seu potencial e construir o futuro desse país”, explicou a secretária Marta Machado, que afirma ainda já estar pactuada a ampliação para mais mil jovens em Salvador e possibilidade de expansão para outras cidades.

“É muito importante nesse projeto, [a possibilidade] de recuperar o sentido do valor dos jovens, negros e periféricos, como uma potência para o desenvolvimento do nosso Estado. Eles precisam ser percebidos com oportunidades de ampliar o desenvolvimento, de enfrentar a desigualdade, de construir alternativas de emprego, renda e inclusão para o nosso país”, completou o secretário Felipe Freitas.

Na prática, o programa prevê apoio financeiro de R$ 500 mensais, assistência psicossocial, acesso a cursos de qualificação pelo Pronatec e ações culturais que fortalecem vínculos comunitários. A proposta é inspirada em experiências bem-sucedidas, como o “Corra Pro Abraço” e o “Corra Pro Abraço Juventude”, iniciativas da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), que unem inclusão social, elevação da escolaridade e oportunidades de formação profissional.

“Esse é um compromisso de pacto federativo, para que a gente avance na segurança pública com cidadania. É um trabalho de prevenção, de profissionalização e a Seades se integra aos territórios como forma de selecionar os nossos jovens mais vulneráveis”, destacou a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis.
Para o coordenador-geral de Políticas para a Juventude (Cojuve), Nivaldo Millet, este é um dia muito importante para os jovens de Salvador. “Estamos falando de 500 jovens que vão ser alcançados por uma política pública que aposta na prevenção da violência e na construção de oportunidades. O PRONASCI chega para garantir que a nossa juventude possa viver, sonhar, se emancipar e vencer, articulando ações de acolhimento e integração com as políticas do Estado”.

Prevenção de violências
O principal objetivo do PRONASCI Juventude é prevenir violências associadas às atividades do crime organizado, promovendo a construção de projetos de vida, por meio do acesso a direitos e oportunidades de educação, cultura, esporte e trabalho. O programa oferta ações de elevação da escolaridade e qualificação profissional, ampliando o acesso à cultura e à proteção social.

Na Bahia, o programa é executado, em parceria, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP); pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e sua autarquia, a Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), além das secretarias estaduais de Educação (SEC) e de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades); e a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA).

Objetivos
Entre os objetivos específicos da cooperação do PRONASCI Juventude na Bahia estão o de ofertar, com participação da SEC, vagas de cursos de qualificação profissional na modalidade Pronatec, para jovens em situação de vulnerabilidade sócio racial agravada e egressos de medidas socioeducativas, oriundos de territórios selecionados para a iniciativa. Os projetos incluem o fornecimento de material didático e de equipamentos para o desenvolvimento das atividades educacionais.

À Fundac caberá, por exemplo, subsidiar o MJSP no mapeamento, seleção, e na construção de fluxos de encaminhamentos, além de atuar na sensibilização dos participantes do projeto. Já a Defensoria Pública do Estado terá a missão, entre outras, de colaborar com o atendimento e orientação jurídica; com a promoção de atividades vinculadas ao projeto; e de colaborar com a formalização de parâmetros jurídicos definidos para as ações, a exemplo da política de cotas.

PRONASCI Juventude
O PRONASCI Juventude é uma iniciativa da Secretaria Nacional de Políticas de Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) e integra, como uma das ações prioritárias, o Plano Juventude Negra Viva, do Ministério da Igualdade Racial (MIR). O programa conta com apoio da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), do Ministério da Educação (MEC), do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (UNICEF) e Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), além do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).
Atualmente, o PRONASCI Juventude está em implementação em quatro regiões do país, chegando a 4 mil jovens no Amazonas, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. A meta é atender cerca de 15 mil jovens até 2026.

Repórter: Anderson Oliveira/GOVBA


SC e PE revelam extremos do mercado de trabalho do país com desemprego de 2,2% e 10,4%



Foto: Agência Brasil/Arquivo
Carteira de Trabalho 23 de agosto de 2025 | 14:00

SC e PE revelam extremos do mercado de trabalho do país com desemprego de 2,2% e 10,4%

Paula Lima, 28, migrou para Santa Catarina em busca de crescimento profissional em fevereiro de 2022. Deixou para trás o trabalho de cabeleireira e a rotina de vida em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio.

Três anos e meio depois, não se arrepende. Buscou qualificação de nível técnico e diz que já encontrou quatro empregos no Sul.

Atua hoje na área administrativa de uma concessionária de veículos. “Aqui tem muita oportunidade”, afirma Paula, que mora com o filho em São José, na Grande Florianópolis.

A cerca de 3.400 km dali, no Recife, Alex Sales dos Santos, 54, atravessa uma situação diferente. Ele diz que procura emprego com carteira assinada há cerca de um ano.

Santa Catarina e Pernambuco ilustram parte dos extremos que persistem no mercado de trabalho do Brasil, apesar da recuperação de indicadores de emprego e renda após a pandemia.

No estado do Sul, a taxa de desemprego caiu a 2,2% no segundo trimestre de 2025. Trata-se do menor patamar do país e da mínima da série histórica de Santa Catarina.

Já em Pernambuco o desemprego foi de 10,4% no intervalo de abril a junho. Mesmo em trajetória de baixa, o indicador local é o maior e o único acima de 10% entre as unidades da federação.

Ao contrário de Santa Catarina, o Estado nordestino ainda não conseguiu renovar a mínima de sua série. A menor taxa já registrada por Pernambuco foi de 7,4%, no quarto trimestre de 2013. O maior patamar foi de 21,8%, no segundo trimestre de 2021, na pandemia.

Os dados integram a pesquisa oficial de emprego e desemprego do país, a Pnad Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A série histórica começou em 2012.

Na média do Brasil, o desemprego recuou a 5,8% no segundo trimestre de 2025. É a menor taxa da série. Também foi a primeira vez que o número nacional ficou abaixo de 6%.

A exemplo de Paula, Alex também morava em Duque de Caxias, no Rio, de onde saiu há mais de dez anos para viver e trabalhar em Pernambuco.

Nas estatísticas oficiais, não chega a ser considerado desempregado, já que recorreu a bicos nos últimos meses, mas o que ele quer mesmo é a garantia de uma vaga formal. “O que aparecer, sendo um trabalho digno, meu irmão, estou pegando. O importante é trazer o pão para casa”, diz ele, que completou o ensino fundamental.

Enquanto isso não vira realidade, Alex conta com o apoio da esposa, que está empregada, e de um projeto social, o Samaritanos, que o auxilia na tentativa de recolocação no mercado.

“O mercado de trabalho no Brasil tem mostrado resiliência, sucessivas quedas no desemprego, e isso vale para os estados, mas em níveis diferentes”, afirma o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.

“O Brasil é um país superdesigual. Tem discrepâncias regionais que explicam boa parte da situação.”

O CONTEXTO DE PE

Pernambuco mostra a maior taxa de desemprego do país, de forma consecutiva, desde o segundo trimestre de 2024.

Apenas outros cinco estados encabeçaram esse ranking ao longo da série iniciada em 2012. Todos são do Norte e Nordeste: Amapá, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas.

“Pernambuco tem características históricas de grandes extensões rurais, de um Estado que se forma a partir da escravidão”, diz o economista Edgard Leonardo Lima, professor do Centro Universitário Tiradentes. “Então, há uma parcela da população que já vem à margem. Isso traz reflexos até hoje”.

Segundo Lima, o mercado de trabalho local também sente os impactos de uma economia menos diversificada do que em outras regiões brasileiras. Há, nas palavras dele, cadeias produtivas “mais curtas”.

Por isso, o economista entende que o Estado deve seguir em busca de avanços na área de infraestrutura logística. A intenção é facilitar a ligação entre Recife e o restante do Estado.

“Temos várias cidades do interior que sobrevivem através de auxílios como Bolsa Família, recursos de prefeituras e agricultura familiar”.

O sociólogo Sidartha Soria e Silva, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), chama a atenção para o desempenho do mercado de trabalho no setor da construção.

Ele diz que a atividade havia experimentado um boom devido a obras no porto de Suape, mas, com o fim desse impulso, amargou demissões na última década.

No quarto trimestre de 2013, quando Pernambuco registrou a sua menor taxa de desemprego (7,4%), a construção tinha um total de 353 mil pessoas ocupadas no Estado, conforme a Pnad.

No segundo trimestre de 2025, o número era de 267 mil, o que sinaliza uma redução de 86 mil postos (formais ou informais).

“Tinha canteiros de obras enormes. Houve uma desmobilização, e esse contingente não foi realocado, não foi absorvido, por outros setores”, diz Silva.

O professor também afirma que aspectos históricos influenciam o contexto local do trabalho. “Em estados como Santa Catarina, a ocupação da terra foi diferente, com fomento ao pequeno negócio. Aqui [em Pernambuco] a história é diferente”, diz.

“Tem a questão da escravidão, de monoculturas de exportação, de concentração de riquezas e pobreza grande”, acrescenta o professor, que defende esforços públicos e privados na geração de empregos e na qualificação da mão de obra.

A reportagem pediu posicionamento sobre os dados de desemprego para o governo de Pernambuco na segunda (18) e tentou novo contato na quarta (20), mas não teve retorno.

O CONTEXTO DE SC

Em Santa Catarina, o baixo nível de desocupação pode ser associado à formação de uma economia “extremamente diversificada”, segundo Lauro Mattei, professor de economia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenador do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense).

Ele ressalta a presença de indústrias de diferentes segmentos no Estado, além do desenvolvimento de atividades agropecuárias e do setor de serviços, que inclui o turismo em regiões como o litoral.

Na opinião de Mattei, essas características, aliadas a políticas nacionais como o aumento do salário mínimo, têm contribuído para a expansão da economia e da demanda por trabalhadores.

“É um conjunto de fatores que ajuda a explicar o boom do emprego. É um boom mesmo”.

Apesar de dizer que esta é a melhor fase do mercado de trabalho catarinense, Mattei avalia que o Estado não é um “oásis” nem “mil maravilhas”.

Segundo o professor, questões que atingem o Brasil também aparecem em menor escala em Santa Catarina. Nesse sentido, ele afirma que o número local de desempregados (101 mil) não pode ser desprezado. “Estamos falando de gente”.

Mattei ainda destaca que a taxa de informalidade catarinense (24,7%) é a menor do país, mas significa que 1 em cada 4 trabalhadores ocupados não tem as garantias do emprego formal.

“Esses pontos se explicitam também aqui. É importante dizer, porque as pessoas têm o hábito de desconsiderar que Santa Catarina faz parte do Brasil”.

Após a divulgação dos dados mais recentes do IBGE, o secretário do Planejamento de Santa Catarina, Fabricio Oliveira, associou os resultados à gestão do governo estadual. Também declarou que o momento é de confiança para trabalhadores e empreendedores.

Leonardo Vieceli/Folhapress



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Haddad: ‘Hostilidade dos EUA tem finalidade de reabilitar a extrema-direita no Brasil’



Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad 23 de agosto de 2025 | 15:31

Haddad: ‘Hostilidade dos EUA tem finalidade de reabilitar a extrema-direita no Brasil’

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou na manhã deste sábado, 23, sobre as mensagens divulgadas no relatório da investigação da Polícia Federal (PF) que rendeu ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) um novo indiciamento.

Sem citar Bolsonaro ou a investigação, mas comentando o tarifaço do presidente americano Donald Trump contra o Brasil, Haddad afirmou que o material obtido pelos agentes mostra que o “único objetivo é livrar a cara dos golpistas”.

“Vimos aí pelas mensagens trocadas que o único objetivo é livrar a cara dos golpistas e não tem nenhuma outra finalidade, essa hostilidade, que não seja reabilitar a extrema-direita no Brasil”, disse o ministro.

As declarações ocorreram durante participação de Haddad, por vídeo, em encontro do Partido dos Trabalhadores (PT) para debater a conjuntura política nacional e internacional neste sábado, 23, em Brasília. O ministro voltou a defender a soberania nacional e afirmou que jamais considerou abrir mão de parceria com os Estados Unidos, “mas não nas condições que estão sendo colocadas”.

Os áudios citados por Haddad fazem parte da investigação da PF que indiciou Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na última quarta-feira, 20. Eles poderão responder pelos crimes de coação no curso de processo e abolição do estado democrático de direito ao tentar interferir no julgamento da ação penal do golpe, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), com ajuda de autoridades americanas.

“O Brasil não pode servir de quintal de ninguém. Nós sabemos disso. Temos tamanho, densidade, importância para manter e garantir nossa soberania”, afirmou, destacando ações para fortalecer as relações comerciais e dizendo que o País não pode “escolher parceiros”, mas sim ter negócios com todo o mundo.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também participou do debate e foi elogiado por Haddad pelo trabalho que tem conduzido nas tratativas com as autoridades americanas. “É assim que tem que ser. Sem bravata, mas fazendo valer a dignidade e a sobriedade da nossa gente, e o respeito ao povo brasileiro”, finalizou.

‘20 milhões de brasileiros não deveriam estar pagando IR’, diz Haddad

Haddad também falou sobre a proposta de aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso. O ministro da Fazenda criticou os governos anteriores por não corrigirem a tabela do IR, e disse que isso fez com que mais de 20 milhões de brasileiros de menor renda passassem a pagar o tributo sobre os salários.

“A não correção do Imposto de Renda promoveu um enorme aumento de impostos das camadas economicamente mais frágeis. Ou seja, os sete anos de não correção da tabela do Imposto de Renda incluiu, no pagamento deste tributo, alguma coisa em torno de 20 milhões de brasileiros que não deveriam estar pagando Imposto de Renda e passaram a pagar nos governos Temer e Bolsonaro”, afirmou Haddad.

A tabela de IR ficou congelada entre 2015 e 2022, desde o fim do governo de Dilma Rousseff (PT), passando pelas gestões de Michel Temer (MDB) e Bolsonaro, acumulando defasagem de mais de 36% no período, segundo cálculos do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional). Ao longo de todo esse período, somente trabalhadores que ganhavam até R$ 1.903 estavam isentos.

“Serão 25 milhões de brasileiros beneficiados com a correção da tabela do Imposto de Renda. E uma proposta neutra do ponto de vista fiscal, porque passa a cobrar, de 141 mil brasileiros, um imposto que hoje eles não pagam. São brasileiros que têm renda de mais de R$ 1 milhão por ano. Estamos fazendo alguma justiça tributária, cobrando de quem não paga, do ápice da pirâmide, 142 mil brasileiros é 0,01% da população economicamente ativa, para favorecer 25 milhões de brasileiros”, destacou Haddad.

Durante sua participação no evento do PT, Haddad também anunciou que o governo prepara um pacote de medidas para impulsionar o acesso a crédito para a compra de imóveis no país, com foco em trabalhadores de baixa renda e classe média. A ideia do governo é flexibilizar os recursos depositados na poupança para a oferta de financiamentos mais baratos.

Karina Ferreira/Gabriel Hirabahasi/Estadão



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