Prevenção do glaucoma é tema de audiência pública na ALBA



A Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa promoveu, nesta terça-feira (26), na Sala Deputado Eliel Martins, uma audiência pública com o tema “Glaucoma: maior causa de cegueira no mundo”, uma iniciativa do deputado José de Arimatéia (Republicanos). O debate sobre a doença ocular, que vem impactando a visão de milhões de pessoas, reuniu parlamentares, autoridades municipais e estaduais, além de especialistas da área de oftalmologia. “Dados recentes indicam que cerca de 78 milhões de pessoas convivem com o glaucoma em todo o planeta, tendo a expectativa desse número chegar a 111 milhões até 2040, em razão do envelhecimento da população. Aqui, estima-se que 2 milhões de brasileiros tenham esta doença silenciosa, cujos sintomas aparecem apenas em estágios avançados, quando a perda da visão já é irreversível”, apontou o parlamentar.

Na abertura do encontro, Arimatéia destacou a importância do diagnóstico precoce para a preservação da visão, melhorando a qualidade de vida, e reforçou seu apoio aos profissionais de saúde quanto às recomendações de acompanhamento médico, uso correto de colírios, tratamento a laser e até procedimentos cirúrgicos, em alguns casos. De acordo com o proponente da audiência, é preciso fortalecer as políticas públicas de prevenção, defender campanhas educativas permanentes e ampliar o acesso da população ao diagnóstico e tratamento pelo SUS. “Reafirmo meu compromisso com a saúde pública, a defesa da pessoa com deficiência visual e o fortalecimento das ações preventivas que possam salvar a visão, garantindo dignidade às pessoas. Queremos que esta reunião seja um espaço de construção, conscientização e mobilização em favor da saúde ocular”, afirmou.

Em pronunciamentos, autoridades e especialistas renovaram os apelos pela prevenção da doença. Trabalhando como técnica da Diretoria de Atenção Especializada da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), Naia Neves Lucena falou que convive há dez anos com a questão do glaucoma, desde quando foram iniciadas as discussões sobre financiamentos de programas voltados para a doença, no âmbito do Ministério da Saúde com os municípios. “Temos um volume muito grande de pacientes que ainda não têm acesso e nossa preocupação é permitir que eles possam ter acompanhamento, diagnóstico e realização de seus exames, tudo que for necessário para garantir a condição de permanecerem com a sua visão”, salientou a representante da Sesab.

MAIS ACESSO

Como representante da Secretaria de Saúde de Salvador, a oftalmologista Aline Uzel Arouca, profissional da Central de Regulação Municipal, esclareceu sobre o fluxo de consultas, acompanhamento e prevenção do glaucoma na rede pública da capital baiana. Assegurou que Salvador tem tentado viabilizar o maior acesso possível à população para evitar esse quadro de cegueira. “São disponibilizadas, para diagnóstico de glaucoma, fora o acompanhamento, uma média mensal de 3.111 consultas em clínicas privadas e hospitais filantrópicos, como o Santa Luzia e Alberto Castro Lima”, lembrou. A profissional de saúde também demonstrou sua preocupação com a relação da doença junto à comunidade afrodescendente. “Moramos em um estado que tem uma população negra muito grande, apresentando um fator de risco maior. O glaucoma é mais agressivo na raça negra”, frisou a médica.

A oftalmologista Andréa Leone, que também é funcionária da Secretaria Municipal de Saúde, comparou o glaucoma a uma doença cardiovascular, cujo desfecho final é um infarte. Ela diz que a doença ocular vem crescendo, sendo progressiva ao longo das últimas três décadas. “É uma doença assintomática, prolongada e traiçoeira. Por isso mesmo, muito perigosa”, observou. Outro especialista que contribuiu para o debate foi o oftalmologista Marcelo Souza Nascimento, vice-presidente da Sociedade de Oftalmologia da Bahia.

Auditor médico do SUS, ele informou que a Bahia atualmente possui apenas 1.500 oftalmologistas, defendeu que a assistência ocular deve ser ampliada em todas as regiões do estado e considerou que a saúde das pessoas não tem preço, mas tem custo. “Há limitações de acesso a tratamentos cirúrgicos, embora os números tenham sido expressivos, no ano passado, quando foram investidos R$ 3,8 milhões em quase 5.000 cirurgias”, elogiou.

Recém-eleita para a presidência do Colegiado da Saúde, a deputada Jusmari Oliveira (PSD) apoia as ações que garantem as medicações gratuitas e a realização de exames para o diagnóstico precoce. A legisladora agradeceu aos profissionais, que atenderam ao chamado da comissão, para esclarecer as dúvidas sobre esta temática que afeta a saúde ocular dos baianos. Integrante da comissão, o deputado Angelo Almeida (PT) parabenizou o colega Arimatéia pela reunião e cobrou “mais informações dos governos federal, estadual e municipal, visando assegurar um melhor atendimento às populações mais distantes”.


CONSCIENTIZAÇÃO

Luciana Calazans, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, destacou a importância de aumentar o nível de conhecimento das pessoas sobre os sintomas e formas de prevenção da doença. Em idêntica linha de pensamento, Marcos Barroso, presidente do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, defendeu ampliar a conscientização da sociedade quanto aos seus direitos em políticas públicas que resolvam ou reduzam essa questão de saúde ocular.

Presidente da Sociedade de Oftalmologia da Bahia, Christine Sampaio Archanjo fez uma longa palestra, abordando diversos aspectos do glaucoma. Descreveu sobre a lesão progressiva do nervo ótico, mostrou fotos sobre o comprometimento do campo visual, explicou quais são as fases de tratamento e reabilitação dos pacientes. Ela discorreu ainda sobre os principais fatores de risco que todos devem estar atentos. Dentre eles, pessoas diabéticas, afrodescendentes, com mais de 40 anos, que possuam pressão ocular elevada e usam corticoides de forma prolongada. Christine revelou também que uma pesquisa, realizada pela entidade nacional, comprovou que 30% dos brasileiros só procuram ajuda médica quando percebem algum problema visual. “Isso é muito grave, pois pode ser tarde para evitar a perda da visão”, avaliou.

Reportagem: Nivaldo Costa 
Edição: Franciel Cruz




Fonte