Estado e Ministério da Justiça firmam parceria focada em jovens de territórios afetados pela criminalidade e letalidade

Estado e Ministério da Justiça firmam parceria focada em jovens de territórios afetados pela criminalidade e letalidade Foto: Feijão Almeida/GOVBA O Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo do Estado e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), para a implementação integrada do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – PRONASCI Juventude, foi … Leia Mais


SC e PE revelam extremos do mercado de trabalho do país com desemprego de 2,2% e 10,4%



Foto: Agência Brasil/Arquivo
Carteira de Trabalho 23 de agosto de 2025 | 14:00

SC e PE revelam extremos do mercado de trabalho do país com desemprego de 2,2% e 10,4%

Paula Lima, 28, migrou para Santa Catarina em busca de crescimento profissional em fevereiro de 2022. Deixou para trás o trabalho de cabeleireira e a rotina de vida em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio.

Três anos e meio depois, não se arrepende. Buscou qualificação de nível técnico e diz que já encontrou quatro empregos no Sul.

Atua hoje na área administrativa de uma concessionária de veículos. “Aqui tem muita oportunidade”, afirma Paula, que mora com o filho em São José, na Grande Florianópolis.

A cerca de 3.400 km dali, no Recife, Alex Sales dos Santos, 54, atravessa uma situação diferente. Ele diz que procura emprego com carteira assinada há cerca de um ano.

Santa Catarina e Pernambuco ilustram parte dos extremos que persistem no mercado de trabalho do Brasil, apesar da recuperação de indicadores de emprego e renda após a pandemia.

No estado do Sul, a taxa de desemprego caiu a 2,2% no segundo trimestre de 2025. Trata-se do menor patamar do país e da mínima da série histórica de Santa Catarina.

Já em Pernambuco o desemprego foi de 10,4% no intervalo de abril a junho. Mesmo em trajetória de baixa, o indicador local é o maior e o único acima de 10% entre as unidades da federação.

Ao contrário de Santa Catarina, o Estado nordestino ainda não conseguiu renovar a mínima de sua série. A menor taxa já registrada por Pernambuco foi de 7,4%, no quarto trimestre de 2013. O maior patamar foi de 21,8%, no segundo trimestre de 2021, na pandemia.

Os dados integram a pesquisa oficial de emprego e desemprego do país, a Pnad Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A série histórica começou em 2012.

Na média do Brasil, o desemprego recuou a 5,8% no segundo trimestre de 2025. É a menor taxa da série. Também foi a primeira vez que o número nacional ficou abaixo de 6%.

A exemplo de Paula, Alex também morava em Duque de Caxias, no Rio, de onde saiu há mais de dez anos para viver e trabalhar em Pernambuco.

Nas estatísticas oficiais, não chega a ser considerado desempregado, já que recorreu a bicos nos últimos meses, mas o que ele quer mesmo é a garantia de uma vaga formal. “O que aparecer, sendo um trabalho digno, meu irmão, estou pegando. O importante é trazer o pão para casa”, diz ele, que completou o ensino fundamental.

Enquanto isso não vira realidade, Alex conta com o apoio da esposa, que está empregada, e de um projeto social, o Samaritanos, que o auxilia na tentativa de recolocação no mercado.

“O mercado de trabalho no Brasil tem mostrado resiliência, sucessivas quedas no desemprego, e isso vale para os estados, mas em níveis diferentes”, afirma o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.

“O Brasil é um país superdesigual. Tem discrepâncias regionais que explicam boa parte da situação.”

O CONTEXTO DE PE

Pernambuco mostra a maior taxa de desemprego do país, de forma consecutiva, desde o segundo trimestre de 2024.

Apenas outros cinco estados encabeçaram esse ranking ao longo da série iniciada em 2012. Todos são do Norte e Nordeste: Amapá, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas.

“Pernambuco tem características históricas de grandes extensões rurais, de um Estado que se forma a partir da escravidão”, diz o economista Edgard Leonardo Lima, professor do Centro Universitário Tiradentes. “Então, há uma parcela da população que já vem à margem. Isso traz reflexos até hoje”.

Segundo Lima, o mercado de trabalho local também sente os impactos de uma economia menos diversificada do que em outras regiões brasileiras. Há, nas palavras dele, cadeias produtivas “mais curtas”.

Por isso, o economista entende que o Estado deve seguir em busca de avanços na área de infraestrutura logística. A intenção é facilitar a ligação entre Recife e o restante do Estado.

“Temos várias cidades do interior que sobrevivem através de auxílios como Bolsa Família, recursos de prefeituras e agricultura familiar”.

O sociólogo Sidartha Soria e Silva, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), chama a atenção para o desempenho do mercado de trabalho no setor da construção.

Ele diz que a atividade havia experimentado um boom devido a obras no porto de Suape, mas, com o fim desse impulso, amargou demissões na última década.

No quarto trimestre de 2013, quando Pernambuco registrou a sua menor taxa de desemprego (7,4%), a construção tinha um total de 353 mil pessoas ocupadas no Estado, conforme a Pnad.

No segundo trimestre de 2025, o número era de 267 mil, o que sinaliza uma redução de 86 mil postos (formais ou informais).

“Tinha canteiros de obras enormes. Houve uma desmobilização, e esse contingente não foi realocado, não foi absorvido, por outros setores”, diz Silva.

O professor também afirma que aspectos históricos influenciam o contexto local do trabalho. “Em estados como Santa Catarina, a ocupação da terra foi diferente, com fomento ao pequeno negócio. Aqui [em Pernambuco] a história é diferente”, diz.

“Tem a questão da escravidão, de monoculturas de exportação, de concentração de riquezas e pobreza grande”, acrescenta o professor, que defende esforços públicos e privados na geração de empregos e na qualificação da mão de obra.

A reportagem pediu posicionamento sobre os dados de desemprego para o governo de Pernambuco na segunda (18) e tentou novo contato na quarta (20), mas não teve retorno.

O CONTEXTO DE SC

Em Santa Catarina, o baixo nível de desocupação pode ser associado à formação de uma economia “extremamente diversificada”, segundo Lauro Mattei, professor de economia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenador do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense).

Ele ressalta a presença de indústrias de diferentes segmentos no Estado, além do desenvolvimento de atividades agropecuárias e do setor de serviços, que inclui o turismo em regiões como o litoral.

Na opinião de Mattei, essas características, aliadas a políticas nacionais como o aumento do salário mínimo, têm contribuído para a expansão da economia e da demanda por trabalhadores.

“É um conjunto de fatores que ajuda a explicar o boom do emprego. É um boom mesmo”.

Apesar de dizer que esta é a melhor fase do mercado de trabalho catarinense, Mattei avalia que o Estado não é um “oásis” nem “mil maravilhas”.

Segundo o professor, questões que atingem o Brasil também aparecem em menor escala em Santa Catarina. Nesse sentido, ele afirma que o número local de desempregados (101 mil) não pode ser desprezado. “Estamos falando de gente”.

Mattei ainda destaca que a taxa de informalidade catarinense (24,7%) é a menor do país, mas significa que 1 em cada 4 trabalhadores ocupados não tem as garantias do emprego formal.

“Esses pontos se explicitam também aqui. É importante dizer, porque as pessoas têm o hábito de desconsiderar que Santa Catarina faz parte do Brasil”.

Após a divulgação dos dados mais recentes do IBGE, o secretário do Planejamento de Santa Catarina, Fabricio Oliveira, associou os resultados à gestão do governo estadual. Também declarou que o momento é de confiança para trabalhadores e empreendedores.

Leonardo Vieceli/Folhapress



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Haddad: ‘Hostilidade dos EUA tem finalidade de reabilitar a extrema-direita no Brasil’



Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad 23 de agosto de 2025 | 15:31

Haddad: ‘Hostilidade dos EUA tem finalidade de reabilitar a extrema-direita no Brasil’

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou na manhã deste sábado, 23, sobre as mensagens divulgadas no relatório da investigação da Polícia Federal (PF) que rendeu ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) um novo indiciamento.

Sem citar Bolsonaro ou a investigação, mas comentando o tarifaço do presidente americano Donald Trump contra o Brasil, Haddad afirmou que o material obtido pelos agentes mostra que o “único objetivo é livrar a cara dos golpistas”.

“Vimos aí pelas mensagens trocadas que o único objetivo é livrar a cara dos golpistas e não tem nenhuma outra finalidade, essa hostilidade, que não seja reabilitar a extrema-direita no Brasil”, disse o ministro.

As declarações ocorreram durante participação de Haddad, por vídeo, em encontro do Partido dos Trabalhadores (PT) para debater a conjuntura política nacional e internacional neste sábado, 23, em Brasília. O ministro voltou a defender a soberania nacional e afirmou que jamais considerou abrir mão de parceria com os Estados Unidos, “mas não nas condições que estão sendo colocadas”.

Os áudios citados por Haddad fazem parte da investigação da PF que indiciou Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na última quarta-feira, 20. Eles poderão responder pelos crimes de coação no curso de processo e abolição do estado democrático de direito ao tentar interferir no julgamento da ação penal do golpe, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), com ajuda de autoridades americanas.

“O Brasil não pode servir de quintal de ninguém. Nós sabemos disso. Temos tamanho, densidade, importância para manter e garantir nossa soberania”, afirmou, destacando ações para fortalecer as relações comerciais e dizendo que o País não pode “escolher parceiros”, mas sim ter negócios com todo o mundo.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também participou do debate e foi elogiado por Haddad pelo trabalho que tem conduzido nas tratativas com as autoridades americanas. “É assim que tem que ser. Sem bravata, mas fazendo valer a dignidade e a sobriedade da nossa gente, e o respeito ao povo brasileiro”, finalizou.

‘20 milhões de brasileiros não deveriam estar pagando IR’, diz Haddad

Haddad também falou sobre a proposta de aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso. O ministro da Fazenda criticou os governos anteriores por não corrigirem a tabela do IR, e disse que isso fez com que mais de 20 milhões de brasileiros de menor renda passassem a pagar o tributo sobre os salários.

“A não correção do Imposto de Renda promoveu um enorme aumento de impostos das camadas economicamente mais frágeis. Ou seja, os sete anos de não correção da tabela do Imposto de Renda incluiu, no pagamento deste tributo, alguma coisa em torno de 20 milhões de brasileiros que não deveriam estar pagando Imposto de Renda e passaram a pagar nos governos Temer e Bolsonaro”, afirmou Haddad.

A tabela de IR ficou congelada entre 2015 e 2022, desde o fim do governo de Dilma Rousseff (PT), passando pelas gestões de Michel Temer (MDB) e Bolsonaro, acumulando defasagem de mais de 36% no período, segundo cálculos do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional). Ao longo de todo esse período, somente trabalhadores que ganhavam até R$ 1.903 estavam isentos.

“Serão 25 milhões de brasileiros beneficiados com a correção da tabela do Imposto de Renda. E uma proposta neutra do ponto de vista fiscal, porque passa a cobrar, de 141 mil brasileiros, um imposto que hoje eles não pagam. São brasileiros que têm renda de mais de R$ 1 milhão por ano. Estamos fazendo alguma justiça tributária, cobrando de quem não paga, do ápice da pirâmide, 142 mil brasileiros é 0,01% da população economicamente ativa, para favorecer 25 milhões de brasileiros”, destacou Haddad.

Durante sua participação no evento do PT, Haddad também anunciou que o governo prepara um pacote de medidas para impulsionar o acesso a crédito para a compra de imóveis no país, com foco em trabalhadores de baixa renda e classe média. A ideia do governo é flexibilizar os recursos depositados na poupança para a oferta de financiamentos mais baratos.

Karina Ferreira/Gabriel Hirabahasi/Estadão



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Atendimento às mulheres vítimas de violência é ampliado no Oeste com inauguração do Neam, em Santa Maria da Vitória


Atendimento às mulheres vítimas de violência é ampliado no Oeste com inauguração do Neam, em Santa Maria da Vitória
Atendimento às mulheres vítimas de violência é ampliado no Oeste com inauguração do Neam, em Santa Maria da Vitória

Foto: Wuiga Rubini/GOVBA

A rede de proteção à mulher foi ampliada na região Oeste da Bahia, com a inauguração de um Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (Neam) da Polícia Civil, no bairro Malvão, em Santa Maria da Vitória, neste sábado (30), durante visita do governador Jerônimo Rodrigues ao município. A unidade, especializada em casos de violência de gênero, funcionará como um anexo da Delegacia Territorial da Polícia Civil, atendendo casos de violência doméstica, sexual e patrimonial. Outros investimentos foram entregues nas áreas de infraestrutura, saúde, esporte e educação.

“Nós somos o segundo estado que mais investe no Brasil. O segundo em investimento em segurança pública, em estradas, em educação, em saúde, em ação social. Nosso Núcleo de Atendimento à Mulher não é só uma estrutura para a segurança, é uma política pública para que as mulheres sejam respeitadas. Corpo, rosto de mulher não será mais ameaçado, nem agredido por homem nenhum”, enfatizou Jerônimo Rodrigues.

A nova unidade da Polícia Civil funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com o suporte de equipes multidisciplinares compostas por advogados, psicólogos e assistentes sociais. A estrutura, que conta com sala de investigação, serviço de psicologia, cartório e custódia, é a segunda inaugurada no Oeste baiano, que também tem unidade em Luís Eduardo Magalhães e uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), em Barreiras.

Delegada titular da Delegacia Territorial e assumindo a gestão do Neam, Maria de Fátima Marcelino explica os avanços alcançados com a criação do núcleo. “É um grande avanço na assistência às mulheres, com um espaço totalmente voltado para elas e às demandas levadas por elas. Nós temos um número aproximado de 30% dos boletins de ocorrência registrados hoje relacionado à violência doméstica. Então, será mesmo uma grande melhoria para todas as mulheres do município”, completou.

O ginásio de esportes de Santa Maria da Vitória, localizado no bairro Macambira, foi reformado com recursos da ordem de R$ 1,3 milhão do governo estadual, através da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb). O equipamento esportivo teve intervenções nos revestimentos, adaptações nas instalações elétricas e hidrossanitárias, mudanças na iluminação externa, no paisagismo e a integração de uma cobertura.

Para Adônio Lopes, de 37 anos, que é professor do projeto social da Escolinha Asas do Planalto, o ginásio vai dar mais capacidade para a execução do projeto e de campeonatos com as crianças e adolescentes. “Eu fico muito feliz com essa reforma, com um espaço adequado para a gente treinar. Antes a gente treinava em um terrão e, agora, nós temos esse espaço bonito, construído através do governo, que teve essa sensibilidade com a causa do esporte”, relatou. O projeto atende crianças e jovens com idade entre 5 e 17 anos.

Na infraestrutura, um trecho entre a sede do município e o povoado de Sussuarana, no entroncamento da BR-135, teve cinco quilômetros asfaltados através do programa Bahia em Movimento, da Seinfra. O aporte do governo baiano foi superior a R$ 4,3 milhões. Outras entregas contemplaram a construção de uma praça no bairro Nova Esperança, com investimento de R$ 500 mil do governo baiano em parceria com o Município, e de uma ponte sobre o Riacho das Lajes.

Saúde
Durante visita ao município, ainda foram entregues veículos de atendimento móvel — duas ambulâncias e uma van para Tratamento Fora do Domicílio (TFD) —, pela Secretaria da Saúde (Sesab), um carro administrativo, equipamentos hospitalares para o Hospital Dr. José Borba e insumos destinados a dez Unidades Básicas de Saúde (UBS), totalizando um investimento de mais de R$ 1,2 milhão.

Um convênio entre Estado e Prefeitura também foi firmado para a reforma e modernização do Hospital Dr. José Borba. A obra compreende a segunda etapa do projeto, que terá valor estimado em R$ 4 milhões. Quase R$ 20 milhões já foram aportados na primeira fase da obra. A Sesab também adotará medidas para a construção de um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) na cidade do Oeste baiano.

Educação
A agenda contemplou ainda, a entrega de dois ônibus escolares rurais para alunos da rede pública estadual e foram firmados convênios com a Prefeitura para a aquisição de equipamentos e mobiliários para oito colégios — quatro localizados na sede e quatro, na zona rural. Para a zona rural também foram entregues dois kits de irrigação para a Associação Riacho dos Currais e 40 kits para hortas comunitárias, acompanhado de um kit de irrigação.

Durante cerimônia, foi autorizada pelo Estado a adoção de medidas para o asfaltamento dos acessos ao Centro Educacional Ivani Neri Bueno, no bairro Samambaia. Outras vias urbanas serão pavimentadas com paralelepípedo.

Mais obras no Oeste
Uma assinatura de ordem de serviço também anuncia a construção de duas pontes sobre o Rio Guará, uma para a comunidade do Mocambo, no acesso pela BA-583; e outra no distrito de Silvania, já no município de Correntina, conectada à mesma rodovia. As pontes terão vãos de 44 metros cada e investimentos que somam mais de R$ 5,4 milhões. Outros investimentos foram entregues nas áreas de infraestrutura, saúde, esporte e educação.

Repórter: Milena Fahel/GOVBA
 


Tarifaço é ineficaz até para americanos, diz economista de Harvard



Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump 23 de agosto de 2025 | 17:15

Tarifaço é ineficaz até para americanos, diz economista de Harvard

O “tarifaço” promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra parceiros comerciais é uma política ineficaz até mesmo para os americanos, de acordo com o professor e economista da Universidade de Harvard Dani Rodrik. Segundo ele, as sucessivas taxações sobre produtos que chegam aos Estados Unidos, uma das principais políticas externas de Trump, não servem para incentivar a economia americana, tampouco para garantir melhores empregos para os próprios americanos.

“Há uma boa chance de que, no final das contas, isso seja autodestrutivo”, diz Dani Rodrik.

Rodrik é ganhador de inúmeros prêmios e, atualmente, é codiretor do Programa Reimagining the Economy, na Kennedy School, e da rede Economics for Inclusive Prosperity. Entre 2021 e 2023, foi presidente da Associação Econômica Internacional, na qual ajudou a fundar a iniciativa Mulheres na Liderança em Economia.

Nesta semana, o economista participou do seminário Globalização, Desenvolvimento e Democracia, realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Open Society Foundations, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Dani Rodrik fez duras críticas à política adotada por Trump. Segundo ele, os objetivos alegados pelo presidente, como a reconstrução da indústria americana e o fortalecimento da classe média, não serão alcançados com tarifas de importação.

“O problema com a América de Trump não é o nacionalismo econômico, é que Trump não está adotando políticas que sejam nacionalistas o suficiente. Na verdade, não apenas não está claro de quem é o interesse, mas posso dizer que não está servindo ao interesse econômico americano”, afirma.

Os produtos do Brasil estão entre os alvos de Trump. No último dia 6, entrou em vigor a tarifa de 50% imposta sobre parte das exportações brasileiras para o país norte-americano. Segundo o governo brasileiro, a medida, assinada no dia 30 de julho, afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano, o que representa 4% das exportações do Brasil.

Cerca de 700 produtos foram incluídos em uma lista de exceções que não sofrerão a sobretaxa. Para reduzir o impacto aos demais produtores nacionais, foi divulgado o Plano Brasil Soberano, no último dia 13.

Dani Rodrik explica que, ao taxar os produtos, pode-se até aumentar a arrecadação ou mesmo o lucro das empresas americanas, mas isso não necessariamente será revertido em empregos de qualidade e bem remunerados aos americanos ─ o que poderia fazer com que a qualidade de vida da população, sobretudo da classe média, melhorasse.

“As tarifas apenas aumentam a lucratividade de certos segmentos da manufatura. Agora, quando algumas empresas se tornam mais lucrativas, elas necessariamente inovam mais? Elas necessariamente investem mais? Elas investem mais em seus trabalhadores? Elas necessariamente contratam mais trabalhadores? Elas tentam ser mais competitivas? Todas essas coisas boas não estão diretamente ligadas ao fato de que, agora, elas estão ganhando mais dinheiro, porque você também pode reverter os lucros maiores aos gerentes ou acionistas”, diz.

Para ele, as tarifas, quando adotadas pelos países, devem ser medidas temporárias e devem ser associadas a ações internas que estimulem a economia.

“As tarifas são um expediente temporário, um escudo temporário, mas não são o principal instrumento pelo qual você atinge esses objetivos, porque, para isso, não são muito eficazes”, diz. “Os impostos podem ter um papel a desempenhar, mas o papel que desempenham seria, na melhor das hipóteses, um complemento, sempre que você tiver uma estratégia doméstica ─ seja para proteger certos setores ou políticas sociais, seja para promover a inovação por meio de políticas industriais ou por meio de mais empregos e bons empregos”, acrescenta.

O economista cita a China como um exemplo de modelo de crescimento. “A China tem seguido políticas que promovem seus próprios interesses econômicos nacionais acima de tudo. Mas, como resultado, essas políticas foram, em sua maioria, bem planejadas em termos de crescimento econômico”, defende.

Investimentos no Brasil

Trump também foi criticado pelo presidente do Conselho da Open Society, Alex Soros, que também participou do seminário. A Open Society é uma rede internacional de filantropia fundada por George Soros, pai de Alex.

Soros comentou o fechamento da Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que era a principal agência de ajuda externa do governo dos EUA. Segundo ele, as ações humanitárias sofreram “muitos dos cortes mais dolorosos. Agora se sabe que pessoas morreram ao redor do mundo por conta dos cortes da Usaid”, diz.

“Falando como um americano, isso não é um interesse americano”, disse Alex Soros.

Na quarta-feira (20), no dia do evento, a Open Society Foudations anunciou que apoiará iniciativas na América Latina voltadas para populações historicamente marginalizadas, com foco especial em povos indígenas, comunidades afrodescendentes e mulheres. A estratégia terá Brasil, Colômbia e México como foco principal.

A intenção é apoiar, com um plano de investimento com duração de oito anos, organizações da sociedade civil e parcerias com governos para criar conjuntamente políticas públicas que atendam de forma direta às necessidades dessas populações, promovendo acesso a serviços, saúde, meio ambiente saudável, empregos de qualidade e segurança.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, esses cortes feitos por Trump impactam principalmente os países pobres.

“Nós não temos como enfrentar as desigualdades no mundo de forma isolada, muito menos os países em desenvolvimento e países pobres”, diz. “Eu acho que é muito importante que a gente tenha uma reação dos atores comprometidos com a democracia, que não se fechem no olhar somente da agenda econômica e comercial, mas que passem a olhar o que está em risco de fato”, defende.

Mariana Tokarnia/Agência Brasil



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Haddad: ‘Tem acontecido um ataque ao BB por bolsonaristas, defendendo saques de valores do banco’



Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad 23 de agosto de 2025 | 20:00

Haddad: ‘Tem acontecido um ataque ao BB por bolsonaristas, defendendo saques de valores do banco’

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado, 23, que o Banco do Brasil tem sofrido ataques por parte de bolsonaristas nas redes sociais.

“Tem acontecido ataque ao Banco do Brasil por parte de bolsonaristas na rede social, defendendo saques de valores do banco”, disse em entrevista à TV GGN.

“Há projetos de lei no Congresso para perdoar dívidas do agro, que não está com problemas, no Banco do Brasil. Está aumentando a inadimplência no Banco Brasil por uma ação concertada, uma ação deliberada de bolsonaristas que estão tentando minar as instituições públicas”, afirmou. “O fair play deu lugar para o vale-tudo e isso compromete muito a saúde da democracia brasileira”.

A fala do ministro sobre o BB se deu num contexto de crítica aos juros bancários, que ele classificou como “abuso no crédito” (leia mais abaixo).

O BB vem sendo questionado por seus resultados. No balanço do segundo trimestre, o banco viu seu lucro cair 60% em um ano, o que desagradou investidores do mercado financeiro.

Grandes produtores rurais, especialmente do Centro-Oeste e do Sul, estiveram no centro dos problemas na carteira de crédit odo banco que provocaram uma queda para 8,4% no retorno (ROE, na sigla em inglês) de abril a junho.

Ataques ao Banco do Brasil nas redes

Nesta sexta-feira, 22, o BB afirmou em nota que tem acompanhado o surgimento de “publicações inverídicas e maliciosas” nas redes sociais com o objetivo de gerar pânico e induzir a população a decisões que podem prejudicar a sua saúde financeira. O banco diz ainda que tomará todas as medidas legais cabíveis para proteger sua reputação, seus clientes e seus funcionários.

O banco cita que identificou publicações sugerindo retirada de depósitos do banco por parte dos clientes. “Declarações enganosas ou inverídicas que tenham como objetivo prejudicar a imagem do Banco do Brasil não serão toleradas”, diz o texto.

Na terça-feira, 19, o advogado Jeffrey Chiquini, defensor de Felipe Martins, ex-assessor da Presidência de Jair Bolsonaro, recomendou publicamente nas redes sociais que as pessoas tirem recursos que tenham no banco. “Meu conselho a você que tem conta no Banco do Brasil: tire seu dinheiro de lá”, escreveu na rede social X (antigo Twitter). A publicação, no entanto, foi apagada neste sábado, 23.

Na quinta-feira, 21, ele publicou: “Não é bravata, é realidade: o Banco do Brasil está pisando em terreno arenoso e assumindo o risco de ser sancionado pelo governo americano, podendo sacrificar todas as suas operações internacionais e ser multado em bilhões de dólares”.

A reportagem procurou o advogado, mas não obteve resposta.

Nesta semana, bancos brasileiros, incluindo o BB, viram suas ações desabarem nesta terça-feira, 19, após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que leis e decisões estrangeiras não se aplicam a brasileiros no Brasil – em meio à tensão sobre a Lei Magnitsky, aplicada pelos EUA ao ministro Alexandre de Moraes.

Moraes teve seu cartão de crédito da bandeira Mastercard, empresa americana, bloqueado, em razão das sanções da Magnitsky. Como mostrou a Coluna do Estadão, o Banco do Brasil, instituição em que o ministro tem conta, ofereceu a ele um cartão da bandeira Elo, que é nacional.

A preocupação dos analistas se deve ao papel que a companhia exerce no meio político. Isso porque o BB é responsável por pagar os salários dos ministros do STF, que têm sido alvo de críticas e sanções dos Estados Unidos por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Sobre o assunto, o BB afirmou na quinta-feira que acumula sólida experiência em relações internacionais e está preparado paralidar com temas complexos ou sensíveis que envolvem regulamentações globais.

Na quarta-feira, 20, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou, sem citar nomes, que é “muita falta de responsabilidade” colocar em xeque a solidez e a integridade do banco.

“É muita falta de responsabilidade quando algum brasileiro vem colocar em xeque a solidez, a segurança e a integridade de uma empresa como o Banco do Brasil”, afirmou. “Que a gente não acredite em fake news. Que a gente não propague mentiras.”

Haddad critica juros bancários

Haddad destacou que, apesar da redução nas taxas de juros cobradas de trabalhadores, os valores ainda estão muito elevados e precisam ser tratados com seriedade.

“Quando o juro cai de R$ 7% para 3,5%, não há dúvida que há o que comemorar. Mas, anualizando, quanto trabalhador paga de juro? Compara com a inflação, compara com a Selic”, disse.

Segundo Haddad, o governo já está tomando providências para reduzir o spread (diferença entre o custo do dinheiro para o banco, o quanto ele paga ao tomar empréstimo, e o quanto ele cobra para o consumidor na operação de crédito).

“Os bancos sabem que o spread de juros está na agenda do governo; democratizar o crédito é importante”, afirmou, ressaltando que é preciso tirar o trabalhador da mão de agiotas e de instituições financeiras abusivas.

‘Diminuir gasto tributário não é aumentar imposto’

Na entrevista, Haddad defendeu que o ajuste fiscal promovido pelo governo Lula tem se apoiado principalmente no combate às renúncias fiscais, e não na criação ou elevação de tributos. “Diminuir gasto tributário não é cobrar de quem não paga ou aumentar imposto. Não é nada disso. Simplesmente nos recusamos a manter a renúncia fiscal no

Segundo o ministro, a estratégia foi fundamental para avançar na consolidação das contas públicas. “Em dois anos e meio, o ajuste fiscal foi feito em torno do combate às renúncias fiscais”, afirmou. Haddad ressaltou ainda o papel do Congresso Nacional na aprovação de medidas importantes, apesar das resistências.

“Bem ou mal, as pautas estão avançando no Congresso. Houve aprovação da reforma tributária, que foi a maior já feita no Brasil”, destacou.

O ministro da Fazenda afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em 2022 um país em condições políticas muito distintas daquelas encontradas em seu primeiro mandato, em 2002. “Em 2002, Lula recebeu um país institucionalmente estável, um Congresso manejável, em que era possível conformar maioria com relativa facilidade”, disse Haddad.

Segundo o ministro, o cenário atual é marcado pela atuação de uma oposição que, em sua avaliação, não apresenta projeto de país. “Hoje a oposição bolsonarista não tem projeto para o país. O projeto deles é o país não andar, o país não evoluir”, afirmou.

Haddad destacou, porém, que não vê o Congresso Nacional como um obstáculo ao governo. “Não estou aqui criticando o Congresso Nacional como instituição. Tenho até agradecido, porque, bem ou mal, as pautas estão avançando”, afirmou.

Transformação ecológica e tecnologia

O ministro falou sobre as oportunidades do Brasil na transformação ecológica e no desenvolvimento tecnológico.

“Nós temos rigorosamente todas as vantagens competitivas. Temos o melhor vento, o melhor sol, a terceira maior reserva de terras raras e minerais críticos. É óbvio que isso vai exigir parceria, porque não temos toda a tecnologia disponível aqui, mas precisamos transformar isso em valor agregado, em emprego de qualidade, em tecnologia de ponta”, afirmou.

Haddad acrescentou que o Brasil precisa avançar na criação de empresas nacionais de tecnologia, principalmente no processamento de dados, já que hoje 60% das informações brasileiras são processadas fora do País.

“Imagina do ponto de vista de soberania, com as ameaças em curso, o que isso pode significar? Amanhã uma pessoa com viés autoritário pode querer prejudicar o Brasil”, alertou.

Leia também: BB identifica ação nas redes de bolsonaristas contra o banco e é pressionado a recorrer à PF

Leandro Silveira/Caroline Aragak/Estadão



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