
O deputado Angelo Almeida (PT) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma indicação ao governador do Estado solicitando a implantação do Memorial Comunitário do Projeto Pedra Branca, no Vale do São Francisco. A iniciativa busca preservar a história das famílias reassentadas na região e resgatar documentos, fotografias e relatos sobre a formação da comunidade.
A proposta prevê a articulação direta entre o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), a prefeitura Municipal de Curaçá, associações locais e os próprios moradores para promover o inventário participativo, o resgate de acervos e a estruturação de um espaço voltado à educação patrimonial e à preservação da identidade coletiva.
A trajetória do Projeto Pedra Branca, localizado entre os municípios de Curaçá e Abaré, está ligada às transformações territoriais ocorridas na região nos anos 1980, com a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (antiga Usina de Itaparica). O enchimento do reservatório, finalizado em 1988, inundou áreas urbanas e rurais, forçando o deslocamento de milhares de agricultores e famílias que viviam às margens do Rio São Francisco.
Ao justificar a medida, o parlamentar destacou que a formação da comunidade não se deu de forma passiva, mas foi resultado de intensas mobilizações populares, caminhadas e ocupações de canteiros de obras entre 1985 e 1986. Essas lutas foram decisivas para garantir o direito ao reassentamento coletivo, ao acesso à terra, à moradia e ao trabalho.
Hoje, o Projeto Pedra Branca integra o Sistema Itaparica e é referência na agricultura irrigada. Está estruturado em 19 agrovilas e conta com uma área irrigável de cerca de 2.400 hectares.
“Preservar essa memória significa reconhecer não apenas a trajetória de desenvolvimento agrícola, mas também as histórias de quem precisou deixar suas origens, lutou pelo direito ao reassentamento e participou da construção de uma nova comunidade. A história e a memória de um povo também constituem patrimônio e merecem ser preservadas”, defende Angelo Almeida.
Apesar da relevância social e econômica do perímetro irrigado, observa-se uma escassez histórica de registros oficiais sistematizados sobre o processo de transição e a vida dos moradores atingidos.
O Memorial Comunitário surge como resposta a essa lacuna, com o objetivo de transformar memórias individuais em patrimônio público. A proposta prevê a reunião de fotografias, documentos históricos guardados por famílias e instituições, objetos e relíquias dos períodos anterior e posterior ao reassentamento, além de depoimentos e relatos orais de antigos e atuais moradores.
Para otimizar recursos e garantir uma implementação rápida, a indicação sugere a utilização de espaços comunitários já existentes, como sedes de associações ou salas públicas de Curaçá, priorizando a acessibilidade e a adequação técnica orientada pelo Ipac.
Reportagem:Joana Vitória
Edição: Divo Araújo







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