
Após a Caravana que percorreu oito cidades e ouviu cerca de 300 pessoas da região, com o objetivo de informar e dialogar sobre a criação da Reserva da Biosfera da Chapada Diamantina (RBCD), a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) recebeu, na última terça-feira (26), o Cacique Juvenal e Jumara Payayá para uma apresentação sobre a proposta.
O encontro contou com a presença do secretário Eduardo Mendonça Sodré e do superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Luiz Araújo e foi uma oportunidade de esclarecer dúvidas e ouvir as demandas do povo Payayá, localizado no município de Utinga, na Chapada Diamantina.
O secretário destacou que a essência da Reserva da Biosfera é o diálogo e a construção conjunta. “A grande vantagem da Reserva é permitir a escuta de todos os setores: comunidades locais, poder público e setor econômico, para juntos desenvolvermos iniciativas que aliem preservação e desenvolvimento sustentável. Não se trata de uma limitação territorial, mas de um espaço de construção coletiva, reconhecido pela Unesco, que abre portas para cooperação e novas oportunidades”.
O superintendente Luiz Araújo lembrou que o processo segue aberto à participação. “Durante a Caravana surgiram contatos que não puderam ser aprofundados no território, e agora estamos retomando esses diálogos. Além das reuniões presenciais, seguimos realizando encontros virtuais para apresentar resultados e acolher contribuições. Ainda hoje teremos uma reunião com a Rede Brasileira de Reservas da Biosfera (RBRB) para compartilhar o que já avançamos. A expectativa é submeter a proposta ao Ministério do Meio Ambiente no início de setembro, que, por sua vez, levará à Unesco”.
O Cacique Juvenal Payayá ressaltou a relação íntima entre os povos indígenas e a preservação da natureza. “Para nós, a terra é mãe. Ninguém maltrata a própria mãe. Diante de tanta degradação, é essencial que seus filhos se posicionem. Ser convidados para esse diálogo sobre a biosfera é um grande passo, e estaremos juntos para construir formas de proteger o meio ambiente”, reforçou.
Para Melissa Branca, representante da Rede de Mulheres para a Biodiversidade da América Latina e Caribe, o momento reforça a importância da participação social. “Hoje contamos com a presença do povo Payayá e do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba). Foi um espaço fundamental de escuta e sensibilização, garantindo a participação plena e informada desses povos na construção da reserva”.
A proposta
A iniciativa encontra-se agora na fase de consolidação técnica, antes de ser submetida ao governo federal e, posteriormente, à Unesco. Segundo Luiz Araújo, a proposta foi atualizada após os diálogos da Caravana. Inicialmente abrangendo 42 municípios, a poligonal agora contempla 66 municípios, 19 unidades de conservação, cinco territórios de identidade em uma área de 4.677.288 hectares.
“As serras de Jacobina foram incorporadas porque a população local reivindicou como parte da Chapada Diamantina. Utinga entrou por completo, assim como novas áreas em Várzea Nova, Ourolândia e Brotas de Macaúbas. Ouvindo as comunidades, conseguimos construir um desenho mais justo e representativo, o que foi extremamente gratificante”, concluiu o superintendente.
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