
“Minha vida foi transformada pelo programa Neojiba, que tem como visão a transformação por meio do ensino musical coletivo. Ele mostra que não estamos presos ao lugar de onde viemos, mas que podemos enxergar o mundo como um espaço de oportunidades por meio da música.” A afirmação é de Saíde Gustavo Nascimento, de 18 anos, clarinetista da Orquestra Castro Alves – NCN, um dos mais de 42 mil jovens que tiveram suas trajetórias impactadas pela iniciativa desde sua criação, em 2007.
Para milhares de crianças, adolescentes e jovens da Bahia, a música passou a representar mais do que uma forma de expressão artística: tornou-se um caminho de pertencimento, aprendizado e ampliação de perspectivas de futuro. É a partir dessa transformação cotidiana que os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba) se consolidam como uma política pública estruturante nas áreas de cultura, educação e desenvolvimento social.
“O ano de 2025 consolidou essa política pública como estratégica para o Governo da Bahia, com resultados concretos tanto no fortalecimento institucional quanto na projeção internacional do estado”, avalia o maestro Ricardo Castro, criador do Neojiba. Segundo ele, crianças e jovens já se preparam para uma nova turnê internacional, ampliando a visibilidade da Bahia no cenário cultural global.
A iniciativa atua de forma pioneira ao integrar cultura, educação e desenvolvimento social, oferecendo acesso gratuito à formação musical de excelência, com foco especial em jovens em situação de vulnerabilidade social.
Vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), o Neojiba é gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Social pela Música (IDSM), responsável pela articulação das frentes pedagógica, social e comunitária em diferentes territórios do estado.
Para o titular da SJDH, Felipe Freitas, o impacto vai além das partituras. “O Neojiba é a prova de que a cultura, quando tratada como política de Estado, é uma das ferramentas mais potentes de garantia de direitos e promoção da justiça social. O programa rompe barreiras históricas e reafirma que o lugar de cada um de nossos jovens é onde eles desejarem estar, seja nos palcos da Bahia ou nos grandes teatros do mundo”, afirmou.
Atualmente, mais de 2.360 integrantes participam diretamente das atividades desenvolvidas, que também impactam cerca de 6 mil pessoas de forma indireta, por meio de ações de apoio, formação e parcerias musicais. O trabalho é realizado a partir de 13 núcleos: o Núcleo Central, em Salvador; três Núcleos Territoriais, localizados em Feira de Santana, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista; e nove Núcleos de Prática Musical (NPM), distribuídos em bairros da capital e nos municípios de Simões Filho, Jequié e Lauro de Freitas.
O alcance da política pública também se reflete no contato direto com o público. Ao longo de sua trajetória, mais de 1 milhão de pessoas assistiram às 2.833 apresentações realizadas pelas diferentes formações musicais vinculadas ao Neojiba.
Orquestra 2 de Julho
Para o grande público, um dos resultados mais visíveis desse trabalho é a Orquestra 2 de Julho — antiga Orquestra Juvenil da Bahia — principal formação orquestral da iniciativa. Composta por adolescentes e jovens de até 27 anos, a orquestra se consolidou como referência no cenário musical brasileiro e internacional. Ao longo de sua história, a Orquestra 2 de Julho realizou mais de 373 apresentações, alcançando um público superior a 514 mil pessoas. Em 2010, tornou-se a primeira orquestra juvenil brasileira a se apresentar na Europa, iniciando uma trajetória internacional que já soma nove turnês.
Além das apresentações, seus integrantes atuam como multiplicadores, compartilhando conhecimentos e colaborando no acompanhamento pedagógico de estudantes dos Núcleos de Prática Musical, projetos parceiros e espaços comunitários da Região Metropolitana de Salvador e do interior do estado.
Para o fagotista Guilherme Freitas, integrante da Orquestra 2 de Julho, 2025 foi um ano marcado por aprendizados e experiências significativas, especialmente durante a turnê realizada na Europa. “As expectativas para o novo ano são sempre maiores, e já temos uma programação intensa e linda, com uma nova turnê internacional, que incluirá, pela primeira vez, apresentações na China”, destaca o músico, que também atua como professor e monitor de novos alunos.
Para este ano, o maestro Ricardo Castro destaca a ampliação das ações de requalificação do Parque do Queimado, com o objetivo de fortalecê-lo como um polo de formação, integração e cidadania, além de novas etapas de internacionalização. Segundo Castro, estão previstas a estreia na Alte Oper de Frankfurt, na Alemanha, e uma turnê na China, em comemoração ao Ano Brasil–China, com patrocínio da BYD.
Repórter: Joci Santana/GOVBA







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