
O deputado Hilton Coelho (Psol) apresentou, na Assembleia Legislativa, uma moção de solidariedade após o ataque sofrido pelo terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, que funciona há 33 anos no bairro de Cajazeiras XI. De acordo com o parlamentar, o caso é mais uma expressão explícita do racismo religioso estrutural que segue vitimando os povos de terreiro em todo o Brasil.
“Não se trata de conflito religioso. O que está em curso é violência, é crime, é perseguição racial e cultural contra povos negros e tradicionais”, afirma Hilton Coelho. Segundo o deputado, os ataques a terreiros não são episódios isolados, mas parte de um projeto histórico de silenciamento, demonização e tentativa de extermínio simbólico das religiões de matriz africana.
Na moção, o legislador destacou que a intolerância religiosa não pode ser relativizada nem naturalizada. “Intolerância não é fé. Intolerância é destruição de territórios sagrados, tentativa de apagar modos de existir que resistem há séculos. Racismo religioso é crime e precisa ser tratado como tal pelo Estado”, reforçou.
Hilton Coelho também criticou o uso instrumental da religião para justificar violência. “A quem usa o nome de Deus para espalhar ódio, é preciso dizer com clareza: Jesus Cristo foi um homem palestino, pobre e perseguido, e jamais pregou violência, ódio ou a destruição do outro. Usar a fé como arma é trair qualquer princípio ético ou espiritual”, declarou.
O deputado cobrou a atuação imediata do Poder Público, com investigação rigorosa, responsabilização dos agressores e políticas efetivas de proteção aos terreiros e demais territórios tradicionais. “O Estado brasileiro não pode continuar sendo omisso diante da escalada de ataques aos povos de terreiro. Defender os terreiros é defender a democracia, a liberdade religiosa e o direito à existência plena do povo negro”, afirmou.






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