A Assembleia Legislativa da Bahia realizou nesta sexta-feira (28), no Auditório Jornalista Jorge Calmon, a audiência pública “Desafios das Ações Afirmativas na Bahia e no Brasil”. Autoridades estaduais, representantes das universidades, dirigentes estudantis e de movimentos sociais participaram do ato pela celebração do Novembro Negro, uma proposição da vice-presidente da ALBA, deputada Fátima Nunes (PT), … Leia Mais
A semana de 30 de novembro a 6 de dezembro na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) será marcada por uma sessão especial de outorga da Comenda 2 de Julho ao secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins. Proposta pelo deputado Euclides Fernandes, a cerimônia está marcada para às 10h de segunda-feira (1º), no … Leia Mais
Em indicação apresentada na Assembleia, o deputado Manuel Rocha (UB) sugere que o governador Jerônimo Rodrigues determine aos órgãos competentes do Poder Executivo estadual a realização de estudos técnicos e administrativos voltados à redução da tarifa de esgotamento sanitário, praticada pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), fixando-a em 40% do valor da tarifa … Leia Mais
No mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizará o Ato de Celebração pelo Novembro Negro, intitulado “Desafios das Ações Afirmativas na Bahia e no Brasil”. O evento acontecerá na sexta-feira (28), a partir das 8h30, no Auditório Jornalista Jorge Calmon. A iniciativa foi proposta pela … Leia Mais
A Procuradoria Especial da Mulher da ALBA promove, nesta sexta-feira (28), a oficina “Projeto de Vida”, um encontro dedicado ao autoconhecimento, propósito e construção de caminhos possíveis. A reunião será conduzida pela administradora e professora de logística, Tatiana Carvalho, com participação da procuradora especial, deputada Fabíola Mansur (PSB), da equipe de psicólogas, advogadas e assistentes … Leia Mais
A situação da doença falciforme no Estado foi tema de audiência pública conjunta realizada na manhã desta quinta-feira, na Sala das Comissões Herculano Menezes, da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), tendo como proponentes a deputada Fabíola Mansur (PSB), na Comissão de Saúde e Saneamento, e o deputado Hilton Coelho (Psol), na Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público.
A audiência, que marcou também os 20 anos da política nacional de saúde integral das pessoas com doença falciforme, apontando avanços e desafios no atendimento a pacientes com a enfermidade na Bahia, contou com a participação de representantes da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), do Centro Estadual de Referência em Tratamento à Doença Falciforme, da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), do Ministério Público e de pessoas com doença falciforme.
Em sua fala de abertura, a deputada Fabíola Mansur destacou o fato de a doença falciforme ser hereditária, que acomete sobretudo a população negra e causa inúmeros transtornos, fortes dores e é responsável por grande mortalidade no estado, onde se concentra a maior população negra do país. Disse ainda que era necessário falar dos avanços e dos desafios para dar acesso à informação, ao diagnóstico, ao tratamento, não apenas na capital, mas no interior da Bahia.
Fabíola apontou a importância do SUS nos avanços em torno do diagnóstico e do tratamento de doença falciforme e falou do racismo estrutural, que, segundo ela, está por trás de ausências de acesso a saúde de qualidade, a diagnóstico e tratamento da doença.
O deputado Hilton Coelho cumprimentou a frente formada por associações de pessoas com doença falciforme, que fez a provocação para a realização da audiência pública, e destacou a importância do tema para a Bahia. “É um estado que tem um peso gigantesco da população negra e, portanto, com a ausência de iniciativas do poder público, de fato a doença falciforme é algo extremamente grave”, afirmou.
Hilton destacou a gravidade do problema na Bahia, onde uma criança a cada 650 nascem com a doença falciforme e 17 em cada mil carregam traço. “Existe uma objetividade já constatada. Claro que nós precisamos trabalhar na geração de dados também, para o enfrentamento da problemática. Mas nós já temos dados na Bahia que são significativos”, explicou o deputado, que também argumentou sobre a necessidade de se potencializar o Centro Estadual de Referência em Tratamento à Doença Falciforme, “para que ele seja uma referência para o Brasil”, e de se ter também centros regionalizados, tendo o estado como indutor dessa política nos municípios.
Ficou a cargo de Altair Lira, coordenador de relações institucionais do Centro Estadual de Referência em Tratamento à Doença Falciforme Rilza Valentim traçar um histórico da doença falciforme na Bahia e no mundo. De acordo com informações trazidas por ele, são 500 mil casos novos casos de doença falciforme no mundo por ano, 89% deles no continente africano. Ele argumenta ainda que, apesar de ser uma doença mundial, não está na pauta da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Panamericana de Saúde. “É praticamente cada um país se virando e fazendo sozinho a sua política”.
Ele informou que, até 2001, não se tinha dados sobre a doença. “Hoje, se sabe que é um caso em 650 nascimentos na Bahia, um em 1.200 no Rio de Janeiro e um em 1.400 em Pernambuco”, apontou Altair, dizendo que em Cachoeira, no Recôncavo, a incidência é de um caso para cada 137 nascimentos, um para 247 em Cabaceiras do Paraguaçu, um para 252 em Cruz das Almas. “Daí a importância de se criar centros regionais na Bahia, como Hilton disse”, explicou.
Após relatos comoventes de representantes de associações de pessoas com doença falciforme de várias regiões e de um debate profícuo com representantes de órgãos públicos, a deputada Fabíola Mansur proferiu os encaminhamentos derivados da audiência pública. Entre eles, a busca por dignidade e equidade no atendimento a pessoas com a doença, “reconhecendo que o racismo estrutural é determinante das condições de saúde da população negra”. A segunda proposição seria a criação de uma frente parlamentar para debater a saúde da população negra interdisciplinarmente, com todos os movimentos sociais, representações do Ministério Público, da Sesab, da Sepromi, da Hemoba, da Secretaria da Educação, do Conselho Estadual de Secretários de Saúde da Bahia (Cosems).
Os encaminhamentos trazem ainda uma cobrança para que o Centro Estadual de Referência faça um matriciamento dos dados da doença, alinhando dados da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e do Cosems. Para superar a subnotificação de dados, também está listada, entre os encaminhamentos da audiência, a importância de se realizar o censo de pessoas com a enfermidade, orientando profissionais de saúde sobre a notificação compulsória do CID D57.
A sugestão a entidades médicas para que seja obrigatório o ensino da hematologia na graduação de medicina, o uso de telemedicina, para organizar melhor o fluxo de atendimentos em todo o estado, e a descentralização do atendimento aos pacientes com a doença falciforme, regionalizando a atenção de saúde, também foram ações citadas pela deputada Fabíola Mansur, que disse que um relatório com os dados da audiência seria preparado para ser encaminhado aos órgãos de saúde e às secretarias, que tratariam o tema de forma transversal.
Também participaram da audiência pública Antônio Purificação, coordenador de promoção da equidade em saúde da DGC/Sesab, Michael Carmo, diretor-geral de gestão das unidades próprias da Sesab, Noemia Neves, coordenadora-geral da Frente das Associações de Pessoas com Doença Falciforme, Taíse Rosário, representante da Associação de Valença e Baixo Sul, o promotor Carlos Martel, representando o Ministério Público do Estado da Bahia, Naianne Dias Costa, representando o Conselho Estadual de Saúde e a Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (Abadfal), e o diretor da Hemoba, Luiz Gonzaga Catto.
Estudantes de diversas escolas da Bahia puderam conhecer a estrutura e o funcionamento da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) por meio do programa A Escola e o Legislativo. Realizadas de terça-feira (25) a quinta-feira (27), as visitas reuniram 140 pessoas entre alunos e professores.
Na terça-feira (25), a ALBA recebeu o Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão Severino Vieira, do bairro Nazaré, em Salvador. Os estudantes do Curso Técnico em Serviços Jurídicos puderam conhecer as instalações da Casa do Povo, além de compreender melhor como funcionam as atividades do Legislativo baiano. Representando o Núcleo Jurídico da ALBA, Ian Schwarz, gerente do Departamento de Apoio Técnico, foi quem ministrou a palestra.
Já na quarta-feira (26), foi a vez dos alunos da Escola Municipal Professora Anfrísia Santiago, do município de Dias d’Ávila, e dos estudantes do curso de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na capital baiana, conhecerem a ALBA. Os grupos do ensino fundamental e superior, respectivamente, assistiram diversas palestras, entre elas a ministrada pela instrutora Viviane Souza, a cerca das funções do legislativo baiano.
Os instrutores Marilanja Pereira, Evandro de Carvalho e Jorge Luiz de Araújo abordaram temas como a estrutura do plenário, os painéis de Carybé e Carlos Bastos, além de promoverem debates sobre as comissões e suas respectivas salas.
Na quinta-feira (27), a ALBA recebeu os alunos da Escola Municipal do Pescador, em Itapuã. As instrutoras Cynthia Rabelo, que também é uma das coordenadoras do programa, e Marilanja Pereira palestraram sobre temas voltados à legislatura baiana.
Uma sessão especial marcou o fortalecimento do compromisso da Assembleia Legislativa em prol do Hospital Martagão Gesteira, instituição filantrópica que atende crianças e adolescentes de todo a Bahia, com destaque em áreas de alta complexidade como oncologia, cardiologia e neurologia. A entrega da Comenda 2 de Julho ao superintendente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (mantenedora do Martagão), Dr. Carlos Emanuel Melo, proporcionou momentos de emoção, gratidão e reconhecimento ao trabalho da entidade, elogiado pela presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, que presidiu a mesa de honra, e pelo deputado Penalva (PDT), proponente da honraria ao médico gestor.
A presidente Ivana Bastos ratificou o compromisso da Casa em ajudar o hospital, registrando, bastante emocionada, ao citar um drama pessoal, que vai transformar a dolorosa coincidência da data da perda de seus pais, no final do ano passado, em um Natal de solidariedade. “Esta sessão marca o agradecimento de toda a Bahia a um homem que dedicou sua vida a proteger a vida das nossas crianças. E reconhece, com humildade e verdade, que tudo o que fizermos pelo Martagão Gesteira ainda é pouco diante da grandeza do que o Martagão faz pelo povo baiano todos os dias. Aproveito essa manhã de homenagem, mas também de gratidão, de reverência e de reconhecimento coletivo, para pedir o apoio dos nobres colegas deputados em prol do Martagão Gesteira”, discursou.
A chefe do Parlamento baiano definiu Carlos Emanuel Melo como um ser humano que coloca amor, entrega e sentido em tudo o que faz, ao lembrar que o Martagão Gesteira exige lutas, decisões difíceis e mobilizações. “E por não desistir do Martagão, você salva vidas, salva esperanças, salva futuros. Por tudo isso, a Assembleia Legislativa da Bahia entrega hoje a você a Comenda 2 de Julho, sua mais alta honraria. Uma medalha que simboliza coragem, liberdade, luta, entrega e amor à Bahia. E você honra cada um desses valores”, disse Ivana.
O homenageado adentrou o plenário Orlando Spínola acompanhado de familiares – sua mãe Jane, esposa Alice, sua filha Maria Emília e genro Paulo, a neta Helena e o tio, ex-deputado Antonio Fernando – além do deputado Antonio Henrique Júnior (PP), sob forte aplauso do plenário e da galeria Paulo Jackson, lotados com a presença de colegas, amigos, apoiadores da instituição e admiradores. O tradicional grupo musical As Ganhadeiras de Itapuã deu as boas-vindas ao cirurgião pediátrico, que recebeu congratulações, em vídeo, do senador Angelo Coronel (PSD). Outro vídeo, também exibido na cerimônia, asseverou, entre outros pontos, que “a cirurgia pediátrica não foi uma escolha, foi um chamado” para Carlos Emanuel Melo.
TRAJETÓRIA
O deputado Penalva elogiou a trajetória profissional do superintendente da Liga Álvaro Bahia, formado, em 1994, pela Escola Bahiana de Medicina, e com as qualificações em cirurgia geral pelo Conjunto Hospitalar do Mandaqui e em cirurgia pediátrica pelo Hospital Infantil Darcy Vargas, ambas em São Paulo. “Mais do que todos os atributos profissionais, é à sua humanidade, suas atitudes contagiantes em prol de uma gestão hospitalar inovadora, que o tornam um ícone na prática da medicina verdadeiramente altruísta. Que esta justa e merecida homenagem, aprovada por unanimidade, sirva como reconhecimento e gratidão, mas também como inspiração para todos os baianos que, assim como Dr. Carlos Emanuel Melo, acreditam no poder da coletividade, do trabalho em favor do ser humano e na transformação de vidas por um futuro digno para a nossa amada Bahia”, disse o proponente.
De acordo com o pedetista, graças à atuação competente e visionária de Carlos Emanuel, a gestão do hospital se fortaleceu. Penalva rememorou a grave crise de 2008, enfrentada pelo gestor “com medidas inovadoras e corajosas”, que possibilitaram a reversão do quadro crítico administrativo, além de reestruturar a Liga Álvaro Bahia, que administra também o Hospital Estadual da Criança. “A Liga completou recentemente 100 anos de sua existência, essa instituição pujante e de vanguarda deve parte de seu recente sucesso à visão de futuro, ao empreendedorismo social e à dedicação do seu superintendente”, registrou.
Após ser laureado, ao som do Hino ao Senhor do Bonfim, Carlos Emanuel relatou que ficou impressionado com “o dinamismo e articulação” da presidente Ivana Bastos, a quem conheceu recentemente e que definiu como “um exemplo dessas pessoas que fazem a gente acreditar na política como salvação de uma nação”. Também anotou que o deputado Penalva é uma pessoa extremamente comprometida com a filantropia e agradeceu o tributo “com grande humildade”, fazendo deferência a cada integrante da mesa de honra. Foi particularmente tocante a referência a Joseane de Souza, mãe de Emily, “representando em especial aqueles que não conseguiram vencer suas doenças”, explicou o médico, afirmando que, durante 13 anos de tratamento, a paciente “transformou imensamente nossas vidas”.
Em seu pronunciamento, o homenageado falou que receber a honraria, normalmente concedida pelo trabalho de uma pessoa, constitui-se em um verdadeiro paradoxo: “O mérito não é exclusivamente meu. O que é reconhecido neste ato é a força de uma instituição inteira: a Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil. Esta homenagem só se justifica porque simboliza o trabalho de muitos homens e mulheres que dedicam suas vidas a cuidar das crianças da Bahia. Cabe a mim a honra de receber o reconhecimento, e o dever de reparti-lo com todos que fazem parte da Liga”, afirmou Carlos Emanuel.
O superintendente fez questão de registrar as presenças do ex-deputado Heraldo Rocha, citado por ele como “um ícone da pediatria”, e do presidente do Conselho de Administração do Martagão Gesteira, Pedro Teles, “que tem sido um esteio para toda a instituição”, elogiou. Integraram a mesa de honra da sessão especial, além dos já citados, a presidente do Instituto Assembleia de Carinho, Tanisia Cunha; a presidente de honra da Liga Álvaro Bahia e neta do fundador, Rosina Bahia; a secretária-geral em exercício do Ministério Público da Bahia, promotora de justiça Ana Paula Oliveira; a coordenadora das defensorias públicas de instância superior, defensora pública Walmary Pimentel; e o presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer – Bahia (GACC-BA), Roberto Sá Menezes.
O deputado Euclides Fernandes(PT) apresentou, na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA), um projeto de lei que dispõe sobre o direito ao uso do cartão de bilhetagem eletrônica e ao embarque prioritário para beneficiários do Passe Livre Intermunicipal, pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos com 65 anos ou mais.
O direito é assegurado às pessoas beneficiárias do Passe Livre Intermunicipal da Bahia que estão inscritas no programa gerido pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH). Quanto aos idosos, o projeto de lei oferece a possibilidade de optar entre utilizar o cartão de bilhetagem eletrônica ou apresentar documento oficial de identidade com foto para exercer o direito da gratuidade.
O legislador esclarece também, em um dos artigos do PL, que “quando houver direito legal a acompanhante, o cartão de bilhetagem deverá permitir a validação de dois acessos por viagem, sendo um para o beneficiário e outro para o acompanhante devidamente cadastrado”. Segundo o deputado, o sistema de bilhetagem garantirá controle, rastreabilidade, segurança e transparência, mediante integração com a base de dados da SJDH e fiscalização da Agerba.
Euclides Fernandes determina ainda que “estando ocupadas as poltronas dianteiras, o motorista deverá abrir a porta intermediária ou traseira para garantir o embarque prioritário do beneficiário e de seu acompanhante”. Na justificativa do documento, o petista fala que a iniciativa visa garantir segurança, dignidade e acessibilidade às pessoas beneficiadas. Ele explica que a proposta é fruto de sugestão cidadã apresentada por Fredson Luis Santos Silva, pai de crianças com TEA e TDAH, que relatou experiências diárias de dificuldades enfrentadas por famílias que dependem do transporte intermunicipal para tratamentos médicos, terapias e deslocamentos essenciais.
O petista frisa que, sem um sistema padronizado de bilhetagem para gratuidades estaduais, “motoristas, passageiros e empresas enfrentam insegurança jurídica e operacional”. O beneficiário frequentemente é submetido a constrangimentos, tendo seu direito questionado de forma pública e não raramente agressiva. Para o deputado, ao instituir o cartão de bilhetagem eletrônica, o passageiro tem seu direito reconhecido automaticamente, sem exposição; o motorista deixa de agir por improviso e passa a atuar respaldado por norma legal; a operadora conta com registro eletrônico, rastreável e seguro; e o Estado avança no controle de gratuidades, transparência e eficiência do serviço público.
Em cerimônia concorrida, tendo como plateia de centenas de artistas, intelectuais, escritores, gestores e representantes de religiões de matriz africana e da católica, familiares e amigos, o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, foi condecorado pela Assembleia Legislativa da Bahia, na tarde desta quinta-feira (27), com o Título de Cidadão Baiano proposto pela deputada Fabíola Mansur (PSB).
O ato foi aberto pela presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, que solicitou à Ebomi Nice e bailarina do Malezinho, Morenah Moara, a introduzirem o homenageado ao recinto, sob o canto da cantora baiana Márcia Short, interpretando cantigas de terreiro e emocionando os presentes. Ela elogiou a iniciativa da deputada proponente, “que tem um olhar firme, sensível e generoso, compromisso com a cultura, amor pela Bahia e coragem para reconhecer quem faz a diferença”.
Conduzida pela deputada Fabíola Mansur, a mesa foi composta pelo homenageado; pela deputada federal, Lídice da Mata; a deputada estadual Maria del Carmen (PT); o vice-governador Gerado Júnior, o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Martins; a procuradora de Justiça, Lícia Maria de Oliveira; a reitora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Adriana Marmori; a defensora pública do Estado, Laura Fagury; a presidente da Associação Cultural Asa Branca, Marizete Nascimento; o pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Padre Lázaro Muniz; a Yá Nirerê da Casa Oxumarê, Ebomi Nice; o diretor da União dos Municípios da Bahia, Antônio Marcos Araújo Souza; a amiga Fátima Mendonça; o cantor e compositor Carlinhos Brown.
Segundo a presidente Ivana Bastos, a história de Bruno Monteiro com a Bahia não começou em um cargo, nem em uma nomeação, nem um anúncio de governo, mas, sim, no coração. “A sua porta de entrada para essa Bahia foi o carnaval, que é, talvez, a maior síntese do que somos. Ninguém está só, ninguém é estrangeiro, todo mundo pertence. Quem entende o carnaval, entende a Bahia, e você entendeu. Hoje, ao receber esse título, você não só se torna baiano por um papel, você se torna baiano porque esta terra o escolheu primeiro”, salientou.
TRAJETÓRIA
Em sua fala, Fabíola lembrou passagens da trajetória profissional do novo baiano, secretário de Cultura da Bahia, que atuou como chefe de gabinete nos ministérios de Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres, além de assessor especial da Presidência, no governo da presidente Dilma Rousseff. Foi produtor cultural do documentário Democracia em Vertigem, participou do movimento 342 Artes, erguendo a voz contra a censura e em defesa da liberdade criativa; coordenou a comunicação do senador Jaques Wagner e na campanha que elegeu o governador Jerônimo Rodrigues.
“Bruno chegou à Bahia como quem entra em uma casa sagrada, com reverência, respeito e disponibilidade para aprender. Conheceu nossas raízes profundas, encontrou nossa gente na sua total vitalidade, pluralidade e complexidade — e se permitiu ser transformado por nós”, afirmou.
Sobre seu trabalho como gestor, a parlamentar apontou diversas ações, entre elas a reformulação e crescimento do Fundo de Cultura do Estado; a maior execução do Fazcultura da história; 70% de recursos dos editais para o interior. Também destacou o grande investimento aplicado em eventos literários, o crescimento gradual do Ouro Negro, que triplicou o valor em três anos; a dinamização e valorização do Pelourinho; o novo Museu de Arte Contemporânea da Bahia e a reabertura do Museu do Recôncavo após 25 anos; a criação da Bahia Filmes e reforma do Teatro Castro Alves.
Fabíola afirmou que, mais do quem um título, a honraria era a celebração de uma trajetória de coragem, sensibilidade e transformação de alguém que agora pertence à terra de Castro Alves, Jorge Amado, Anísio Teixeira, de Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Caymmi, João Gilberto, Carlinhos Brown, Mãe Stella, Mãe Menininha do Gantois, Olodum, Araketu, Ilê Aiyê e Filhos de Gandy, entre outros.
“Essa mesma Bahia olha hoje para Bruno Monteiro e reconhece sua contribuição com gratidão verdadeira, concedendo-lhe o Título de Cidadão Baiano, um símbolo que carrega a alma de um povo inteiro. A Bahia lhe acolhe oficialmente, Bruno, e nós lhe celebramos de coração aberto. Não celebramos apenas um homem, celebramos uma história que se entrelaçou com a nossa”, elogiou.
Depois de receber o título, Bruno Monteiro manifestou profunda emoção e falou do vínculo com a Bahia que começou na infância, com a proximidade da sua casa com um centro de umbanda, frequentada por uma parte da família, sendo que a outra parte seguia a religião católica. “A Bahia veio nos ensinar que essa relação não só é possível, como é leve, como ela é linda e necessária”, disse.
Outro vínculo que o secretário teve com a Bahia aconteceu quando jovem, quando conheceu o carnaval pela televisão. “E foi o carnaval, foi a cultura que me acolheu, que foi aquela isca para a Bahia que me fez estabelecer uma relação que foi crescendo de forma muito concreta, de forma muito respeitosa. Porque a Bahia sempre foi um ensinamento de convivência, de acolhimento, de ancestralidade e de como as relações humanas podem se construir”.
Bruno lembrou o contato com a Bahia por meio do seu trabalho no governo da Presidente Dilma Rousseff “outra apaixonada pela Bahia”, quando conheceu o senador Jacques Wagner e sua esposa Fátima Mendonça, que se tornaram mais que amigos.
“Aí eu consegui, logo depois, conhecer os interiores, mergulhar nessa Bahia profunda, os territórios, a sua diversidade, todas as suas possibilidades, como a Bahia é divertida, como a Bahia é rica”, afirmou, destacando as festas de interior
Peça fundamental na campanha de Jerônimo Rodrigues, em 2022, o novo baiano falou da afinidade com o governador por conta das semelhanças das histórias de vida de ambos, oriundos de famílias humildes. “Tenho muito orgulho da campanha que nós construímos em 2022, daquela caminhada pela Bahia. E o filho do barqueiro venceu o neto do coronel, e governa esse estado”.
Por fim, Bruno Monteiro agradeceu à Casa pela reverência, ao governador Jerônimo Rodrigues “por poder servir ao estado baiano”, à sua equipe na Secretaria de Cultura, aos familiares, e aos amigos presentes ao evento. “Ao longo desses três anos que eu sou secretário, em alguns momentos, para criticar o meu trabalho, muitas vezes recorreram à xenofobia, usando um artifício que não combina com a Bahia, porque se a Bahia é mãe, que acolhe, a terra da diversidade, que não tolera preconceitos, que não tolera exclusão. Mas, para esses e essas, eu digo, a partir de hoje, podem procurar um outro argumento, porque, a partir de agora, esse já não cola mais, porque eu sou baiano também!”.
Na sessão, da qual também participaram a Banda Didá e os Filhos de Gandhy, o homenageado foi parabenizado virtualmente por amigos e familiares que não puderam estar presentes, a exemplo do senador Jaques Wagner, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do compositor e cantor Gilberto Gil.