Escola de Ofícios alia qualificação profissional à preservação do patrimônio de Salvador


Texto: Fabiane Humildes e Mateus Soares / Secom PMS
Fotos: Otávio Santos / Secom PMS

A formação de profissionais para atuar na conservação e restauração de imóveis históricos é a proposta da Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador, instalada na Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Pelourinho. A iniciativa da Prefeitura de Salvador oferece cursos gratuitos e busca associar a preservação do patrimônio à geração de oportunidades de trabalho e renda.

A primeira turma já foi selecionada e, atualmente, participa do curso de pintura tradicional com pigmentos naturais, iniciado em setembro e com aulas até 17 de dezembro. A formação é destinada a pessoas a partir dos 18 anos, alfabetizadas, e não exige experiência anterior. A prioridade é para moradores do Centro Histórico, mas pessoas de outras regiões também podem participar.

Presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield destacou a importância da formação de mão de obra especializada. “A Escola tem o propósito de capacitar mão de obra para a construção civil, com conhecimento em técnicas tradicionais aplicadas ao restauro de imóveis de valor histórico e arquitetônico. Ao mesmo tempo, contribui para inserir no mercado profissionais qualificados nessas técnicas, atendendo a uma demanda existente no setor da construção civil”, afirmou.

Professora da escola, a conservadora de bens culturais Luana Santos explicou que conhecimentos tradicionais utilizados na construção civil deixaram, ao longo do tempo, de ser transmitidos com a mesma frequência. “São aprendizados que geralmente são ensinados de pai para filho ou em canteiros de obras, de forma mais informal e menos institucionalizada. Então, é importante que a gente tenha uma escola que ofereça a formação nesse ofício para garantir a sua existência”, disse.

A arquiteta e professora Letícia Grappi ressaltou que a capacitação também ajuda na compreensão das particularidades dos imóveis antigos. “Uma escola como essa e cursos como esse de pintura e de outros ofícios certamente vão ajudar a própria sociedade a saber como lidar com esse tipo de construção”, avaliou a especialista.

A proposta é ampliar gradualmente as formações, com possibilidades de cursos de alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria. Segundo a coordenadora Beatriz Ulloa, a intenção é manter diferentes capacitações funcionando simultaneamente. “Queremos formar mão de obra qualificada para lidar com as demandas de restauração desses casarões”, afirmou.

Novas oportunidades – A possibilidade de trabalhar com restauro levou Josemar Amorim, de 56 anos, que atua há 12 anos na construção civil, a procurar o curso. “Quando eu vi ‘restauração’, fiquei muito interessado, porque é uma área muito complicada e eu nunca tinha encontrado essa oportunidade”, contou. Ele pretende seguir no segmento após a formação, principalmente em trabalhos externos e com madeira.

Já Rosy da Conceição, de 72 anos, técnica em restauração de bens móveis e patrimoniais há mais de cinco anos, buscou o curso para ampliar seus conhecimentos. “Todos os dias, a gente que trabalha com restauro está aprendendo técnicas novas. É muito importante que o profissional que queira se qualificar busque e entenda esse mercado de restauro e como ele funciona”, afirmou.

As aulas da primeira turma estão em andamento e as inscrições para essa formação já foram encerradas. A previsão é que novas capacitações sejam abertas conforme a ampliação das atividades da Escola de Ofícios Tradicionais.

Fonte: Prefeitura de Salvador